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Brasileiro vira estrela inesperada no comando de azarão que pode chegar à Copa

Como Sylvinho se tornou o rei da Albânia

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 mar 2026, 08h00 •
  • “I’ve lived a life that’s full/I travelled each and every highway/and more, much more than this, I did it my way.” Ele percorreu todas as estradas, pode-se dizer que teve uma vida plena e fez a seu modo. Com alguma desenvoltura e muita afinação, o treinador brasileiro Sylvio Mendes Campos Júnior, o Sylvinho, de 51 anos, fez a plateia aplaudi-lo de pé depois de entoar My Way, o clássico na voz de Frank Sinatra, ao lado da filha, Taty Mendes, durante a cerimônia de premiação dos melhores do futebol da Albânia, em janeiro de 2025. Àquela altura, ele havia posto a seleção do Leste Europeu na Eurocopa e começava a trilhar o caminho que levaria os rubros-negros, os kuqezinjtë, para a repescagem da Copa do Mundo de 2026 — no fim de março, enfrentarão a Polônia. Se passarem, vão duelar com Ucrânia ou Suécia — e aí então garantiriam vaga para o Mundial, que será realizado simultaneamente nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

    CARINHO - Torcida que canta, vibra e abraça: entusiasmo pelos feitos do time
    CARINHO - Torcida que canta, vibra e abraça: entusiasmo pelos feitos do time (Visar Kryeziu/AP/Imageplus)

    Recebido pelo primeiro-ministro Edi Rama, que o condecorou com uma láurea prestigiada, a Águia de Ouro, assediado onde quer que vá, Sylvinho virou celebridade no país que, até o início da década de 90, viveu sob o regime comunista. “Em muitas ocasiões, estou jantando com a minha mulher e, na hora de pagar, a conta já foi coberta por algum fã”, contou a VEJA. Não seria exagero dizer que a fama de um brasileiro pelas bandas de lá só tem equivalente nos rapapés distribuídos para João Amazonas (1912-2002), antigo secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, no tempo em que o país vivia sob a mão de ferro de Enver Hoxha (1908-1985). “Joao, joao”, sem o sinal diacrítico, gritavam os albaneses. Bradar o nome de Sylvinho, apesar do diminutivo, soa mais palatável. Dois nomes da Albânia, enfim, são hoje conhecidos fora das fronteiras da nação espremida entre a Grécia e Montenegro — ele, é claro, e Dua Lipa, a cantora que hoje vive entre Los Angeles e Londres. Sylvinho ri da analogia, com genuíno sorriso aberto e humor. “Não dá nem para comparar, porque não tenho a voz dela”, reconhece. “Mas, vou dizer, nunca fui tão bem tratado num país; o povo albanês é muito generoso.”

    A travessia fora do Brasil é quase uma resposta aos tempos desagradáveis que passou no Brasil, depois de abandonar a carreira de jogador, em 2010, com passagem bem-sucedida pelo Barcelona e pelo Manchester City. No Corinthians, entre 2021 e 2022, passou maus bocados, com um time capenga e resultados ruins — apesar do jeitão carismático que fazia a torcida rir, por vezes empolgada, mas quase sempre desesperançosa. Chegou à equipe alvinegra depois de três anos como auxiliar de Tite na seleção, entre 2016 e 2019. Contratado pela Albânia em 2023, viajou como quem sonhava com muito pouco — e deu certo.

    HISTÓRIA - O ditador Enver Hoxha: adorado pelo brasileiro João Amazonas, do Partido Comunista do Brasil
    HISTÓRIA - O ditador Enver Hoxha: adorado pelo brasileiro João Amazonas, do Partido Comunista do Brasil (./AFP)
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    Decidido a mergulhar na cultura do país, mudou-se com a família para a capital, Tirana, ao lado de sua comissão técnica, formada pelo ex-volante Doriva e pelo ex-lateral argentino Pablo Zabaleta. Arrisca algumas palavras no idioma local, mas ele se comunica mesmo é em inglês, na rua e nos treinos. Sabe que está vivendo o auge e uma oportunidade rara, que parece pesar no ar. Só se fala nisso nas ruas do país (e um pouquinho de Dua Lipa, sim). “Há muita expectativa, porque pela primeira vez a Albânia tem a chance de chegar à Copa”, diz. O feito fará dele um herói, embora as dificuldades sejam evidentes. A partida contra a Polônia será em Varsóvia; contra a Ucrânia, em Valência, aonde os ucranianos têm mandado seus jogos; se o rival for a Suécia, o palco será Estocolmo. Como sonhar é livre, os empolgados albaneses acreditam ser possível fazer com que a terra das águias vire uma zebra, atropelando essas seleções europeias tradicionais. Classificada, a equipe entraria no Grupo F da Copa, ao lado de Holanda, Japão e Tunísia. “Seria hipócrita se dissesse que não vi o sorteio, pensando nos próximos passos”, afirma. “Mas, por enquanto, penso apenas na Polônia.” Quem sabe, se tudo der certo, ele não leve a filha pelos braços para subir o tom e, uma vez mais, dizer que fez de seu jeito, como ensinou Sinatra. Viva a Albânia de Sylvinho, a 63ª colocada no ranking de seleções da Fifa.

    Publicado em VEJA de 6 de março de 2026, edição nº 2985

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