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Flamengo vence o Palmeiras e leva a Libertadores pela quarta vez

Em jogo preso, a equipe carioca fez história em Lima e reafirma o domínio de anos no futebol brasileiro e continental

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 nov 2025, 20h12 • Atualizado em 30 nov 2025, 15h01
  • Não é pouca coisa o feito do Flamengo, ao vencer o Palmeiras, na final da Libertadores disputada em Lima, no Peru. Pela primeira vez um clube brasileiro chega ao quarto título continental, em marco histórico. O tetracampeonato iguala o feito de River Plate e Estudiantes, ambos da Argentina. Não demora, pelo andar da carruagem, o campeoníssimo de hoje, o Flamengo – ou mesmo o infeliz vice, o Palmeiras –, alcançará os sete troféus do Independiente, também argentino, os seis do Boca Juniors e os cinco do Peñarol, do Uruguai.

    Foi vitória difícil, como se imaginava, na revanche da conquista palmeirense de 2021.

    O jogo, que começou com 15 minutos de atraso em razão da demora na chegada do ônibus do Palmeiras ao Estádio Monumental “U”, em Lima, teve um início estudado, com mais posse de bola do Flamengo, que impôs volume de jogo. O rubro-negro criou três chances claras nos primeiros 15 minutos, com Arrascaeta, Bruno Henrique e Samuel Lino. O Verdão, contudo, igualou as ações na metade do período, levando perigo com Vitor Roque. O destaque negativo ficou para a violência e a polêmica. Em um jogo com quatro cartões amarelos, o clima esquentou quando Erick Pulgar solou a canela de Bruno Fuchs com o jogo já parado. Apesar das marcas deixadas no zagueiro e de quatro minutos de paralisação, o VAR manteve a decisão de campo, confirmando apenas o cartão amarelo para o chileno. O cenário de guerra prometia se intensificar na etapa final.

    O segundo tempo começou ainda mais tenso. Aos 6 minutos, Murilo deu bobeira na saída de bola, errou o passe e entregou nos pés de Bruno Henrique, que tocou para Arrascaeta na meia-lua. O uruguaio invadiu a área, finalizou cruzado, mas foi travado por Gustavo Gómez. E então veio a consagração. Aos 21 minutos, após cobrança de escanteio de Arrascaeta, Danilo subiu muito alto, com liberdade, alto mesmo, como se voasse, e cabeceou com muita força no canto de Carlos Miguel. E nasceu um novo herói rubro-negro, o veterano defensor que atua tanto como zagueiro quanto lateral. E mais: faltando pouco para o apito final, ele ainda interrompeu um chute de Vitor Roque, salvando os cariocas. O jogo foi de Danilo, um sujeito iluminado. Ele havia marcado também pelo Santos na final da Libertadores de 2011, contra o Peñarol. “Não imaginava nem jogar finais, queria quando criança chegar longe, mas não tão longe assim”, disse Danilo depois da partida. “O que eu diria para o Danilo criança? Permita-se sonhar.”

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    A glória rubro-negra deste fim de tarde limeño remete, por natural, aos textos de Mario Vargas Llosa, que morreu este ano, autor que traduzia o Peru e a infelicidade do cotidiano como poucos, inclusive sobre futebol. De Vargas Llosa, em linhas que poderiam sair de sua pena depois do golaço de Danilo, que será repetido até o fim dos tempos: “Os povos se expressam de maneiras inesperadas e diferentes. A criatividade dos peruanos, por exemplo, se nota extraordinariamente na cozinha – os nossos pratos, ensopados, molhos, temperos e ingredientes revelam uma fantasia e uma audácia especulativa surpreendente, porque somos um país pobre, onde muitas pessoas comem mal e algumas não comem. Mas mesmo nas aldeias mais insignificantes da costa, nas serras ou nas florestas do Peru, os vizinhos maravilharão o forasteiro com um orgulho culinário próprio, feito de pequenas invenções, às vezes sutilíssimas variantes locais de pratos nacionais. O que ocorre no Peru com a comida, também acontece no Brasil com o futebol. Neste esporte se expressa de maneira privilegiada a aptidão criativa dos brasileiros, a alegria, a picardia, o ritmo, a sensualidade e a graça – essas virtudes que estão, também, tão vivas e atuantes em sua música.”

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