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O resultado do julgamento de Bruno Henrique por fraude esportiva

Jogador do Flamengo foi acusado por fraude esportiva por ter favorecido apostas em 2023

Por Natalia Tiemi Hanada Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 set 2025, 23h00 - Publicado em 4 set 2025, 17h29

Acusado de fraude esportiva, Bruno Henrique foi condenado pela 1ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e sentenciado a 12 jogos, apenas de campeonatos realizados pela CBF, mais multa de 60 mil reais. O julgamento ocorreu nesta quinta, 4, no Rio de Janeiro. O jogador do Flamengo teria forçado um cartão amarelo e beneficiado apostadores em novembro de 2023, em jogo contra o Santos. O clube rubro-negro e a defesa do atleta irão recorrer da decisão ao Pleno do STJD..

De folga das atividades do Rubro-negro, Bruno Henrique participou por videoconferência do julgamento que teve início por volta das 9h. Além do profissional, a Procuradoria também denunciou outros quatro atletas amadores: Wander Nunes Pinto Junior, irmão do atacante do Flamengo, e os amigos de Wander, Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos.

O jogador do Flamengo foi condenado por infringir o artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por atuar de maneira contrária à ética desportiva para influenciar o resultado da partida. Também acusado por infração do artigo 243, sobre deliberadamente, prejudicar o clube, Bruno Henrique foi absolvido.

Votação de preliminar

Antes do julgamento da culpa do atacante do Flamengo, os auditores votaram a preliminar de prescrição. Por maioria, foi rejeitada por 3 a 2. O presidente da comissão disciplinar, Marcelo Rocha, considerou “prejudicada” o argumento de uma segunda preliminar que estava em votação, quanto à preclusão lógica, ou seja, se houve ou não falta de Bruno Henrique em Soteldo. Caso fosse acolhido o pedido da defesa, o julgamento seria anulado e o caso arquivado.

O procurador do caso Caio Porto Ferreira abriu a sua fala afirmando que “é um caso de compliance esportivo”, relacionado a ética no esporte. O denunciante argumenta que o acesso completo da Procuradoria ao inquérito policial, em 5 de maio de 2025, deve ser levado como o início de prescrição do caso. O CBJD define que a Procuradoria tem sessenta dias para realizar a denúncia, que ocorreu em 58 dias, segundo a contagem do procurador.

A defesa dos acusados bateu na tecla da prescrição, e que ela teria sido violada. Alexandre Vitorino, advogado de Bruno Henrique, afirmou: “A primeira defesa do réu é o tempo. Autoridades encarregadas de investigar qualquer espécie de ilícito precisam desempenhar seu trabalho com agilidade. A prescrição é um argumento importante, inapelável. O que temos é uma bifurcação de formas de contagem de prazos.”

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O marco inicial considerado pela defesa deveria ser a partida contra o Santos, em 1º de novembro de 2023, e portanto, a prescrição terminaria em 30 de dezembro de 2023, impedindo a denúncia feita em 1º agosto de 2025, um ano e nove meses depois.

“Da parte do Bruno Henrique, o que precisamos dizer é que precisamos de segurança jurídica, e precisamos respeitar essa matemática processual. Então com base nessas razões, eu peço que haja acolhimento das prescrições. E sintetizo em um ponto, prova nova não exuma prazo prescricional extinto”, concluiu o advogado. 

Michel Assef Filho representou o Clube de Regatas Flamengo e também defendeu o jogador: “O Flamengo reitera seu posicionamento de cumprimento das regras, de reprovação total de qualquer ato de manipulação de resultado. E exatamente por isso que o Flamengo está aqui. Para demonstrar apoio ao seu atleta e fazer com que no final desse processo façamos justiça.”

O relator Alcino Guedes e os auditores William Figueiredo e Carolina Ramos rejeitaram a preliminar prescrição, enquanto o presidente Marcelo Rocha e o auditor Guilherme Martorelli acolheram. 

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Oferecimento de provas

Depois de um intervalo, das 12h30 às 13h, a sessão retornou com o oferecimento de provas. A Procuradoria iniciou com a apresentação de um vídeo do acusado Douglas Barcelos afirmando que tinha conhecimento de que Bruno Henrique tomaria um cartão. O atleta amador confirmou a informação em uma videoconferência em que negociava um acordo de não persecução penal com a Justiça do Distrito Federal.

A defesa também apresentou prova em vídeo de um lance em que Zé Rafael, então jogador do Palmeiras, levou um cartão amarelo quando estava pendurado, e os comentaristas afirmam que a punição foi ‘forçada’ pelo jogador. 

Em seguida, o delegado Daniel Cola, da Polícia Federal, prestou depoimento por videoconferência e respondeu a perguntas da acusação e da defesa. À Procuradoria, o delegado explicou que 14 apostas foram documentadas pela investigação após os diálogos e a ligação entre Bruno Henrique e seu irmão, Wander. Ele afirmou que as evidências da busca e apreensão na casa do jogador, corroboram com as suspeitas.

Questionado pela defesa de Bruno Henrique e representante do Flamengo, o delegado afirmou que não tinha o número total de apostas no cartão de Bruno Henrique. O advogado do clube considerou subjetivo em sua sustentação oral, posteriormente, a afirmação do delegado de que o cartão tomado também poderia ser utilizado no critério de desempate do campeonato, que foi definido por saldo de gols.

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A defesa dos outros atletas amadores, com exceção de Wander, irmão de Bruno Henrique, insistiu na questão de se houve ou não comunicação direta entre o jogador do Flamengo e os acusados, e Daniel Cola esclareceu que, como consta no inquérito, o atacante conversou diretamente apenas com seu irmão Wander.

O representante da KTO, Pedro Lacaz também prestou depoimento e respondeu a perguntas de ambas as partes.

O presidente da comissão disciplinar abriu espaço para os acusados se pronunciarem. Apenas Bruno Henrique fez uma declaração, sem espaço para perguntas: “Eu gostaria de reafirmar a minha inocência e dizer que confio na justiça desportiva. Jamais cometi as infrações que estou sendo acusado. Meus advogados estão aí, falaram por mim durante a defesa do processo. Faço questão de mostrar o meu respeito e a minha confiança nesse Tribunal, e desejo um excelente julgamento a todos. E que tudo transcorra de forma leve e justa.”

Outros acusados utilizaram do direito de ficar em silêncio e não se pronunciaram.

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Defesas

Após um outro intervalo, os auditores retomaram o julgamento com as sustentações orais de cada defesa. O Procurador Caio Porto Ferreira afirmou que durante o segundo tempo do jogo contra o Santos, em 1º de novembro, Bruno Henrique ficou “cada vez mais violento” no segundo tempo para levar o cartão amarelo. Destacou a confissão de Douglas Barcelos em vídeo, e pediu a condenação de Bruno Henrique.

O representante do Flamengo, Michel Assef, defendeu o atleta e afirmou: “Qualquer conhecedor mediano de futebol, entenderia que o Bruno Henrique tomaria o terceiro cartão naquele jogo.” O advogado justifica que o jogador, então perderia a próxima partida contra o Fortaleza, e voltaria ao confronto com o Palmeiras, e portanto, não seria uma “informação privilegiada” aos apostadores.

O advogado de Bruno Henrique, Alexandre Vitorino, reiterou os pontos do antecessor no discurso, e pontuou que sequer foi falta a ação do jogador em campo. Garantiu a inocência do cliente e pediu sua absolvição.

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