Vini Jr: Um basta ao racismo
o atacante denunciou ter sido vítima do argentino Gianluca Prestianni
O inaceitável aconteceu de novo. Na partida entre Benfica e Real Madrid, no Estádio da Luz, em Lisboa, o atacante Vinicius Jr. denunciou ter sido vítima de um ataque racista do argentino Gianluca Prestianni. Depois de marcar um golaço na vitória merengue por 1 a 0, o brasileiro comemorou de modo efusivo, mas natural, tão natural quanto a desenvoltura da namorada, Virginia, no Carnaval do Rio. Na sequência, discutiu com Nicolás Otamendi e com Prestianni. Pouco depois, correu até o árbitro para relatar o que teria ouvido: “mono” (macaco, em espanhol). O juiz acionou o protocolo antirracismo da Fifa ao cruzar os punhos acima da cabeça — gesto oficial que sinaliza denúncia de discriminação — e paralisou a partida por cerca de dez minutos. O denunciado cobriu a boca com a camisa durante o bate-boca, ao que tudo indica, de modo a proferir escondido, com covardia, o que nunca poderia ser dito. Colega do brasileiro no Real, o francês Mbappé testemunhou ter ouvido a ofensa racista, repetida por cinco vezes. A Uefa, a federação europeia, abriu investigação — se for comprovado o preconceito, o jogador da equipe lusa pode pegar um gancho de até dez jogos. O Benfica não corre risco e tampouco poderia ser condenado por uma atitude individual de um de seus craques. Houve reação mundial de atletas e ex-atletas, com uma estúpida e vergonhosa exceção. O português José Mourinho, treinador do Benfica, pôs a culpa na vítima: “Uma coisa é o que o Vinicius descreve, outra coisa é o que descreve o Prestianni. Como dizem na Espanha, quem marca um gol daqueles corta o rabo, corta a orelha e sai em ombros. Não acaba com o jogo. E ele acabou com o jogo”. Na verdade, quem tirou o brilho da partida foi o ataque racista. Vinicius Jr. é vítima recorrente. Está mais do que na hora de dar um basta nisso.
Publicado em VEJA de 20 de fevereiro de 2026, edição nº 2983





