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A alfinetada de Trump a Macron durante polêmico discurso em Davos

Líder francês se tornou a mais expressiva voz europeia contra Trump, que ameaça tomar a Groenlândia, região autônoma administrada pela Dinamarca

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jan 2026, 12h23 | Atualizado em 21 jan 2026, 12h47

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alfinetou o seu homólogo da França, Emmanuel Macron, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira, 21. O líder francês se tornou a mais expressiva voz europeia contra Trump — que ameaça tomar a Groenlândia, região autônoma administrada pela Dinamarca, alegando razões de segurança nacional — e condenou, em indireta ao republicano, o avanço do imperialismo no contexto atual.

Macron discursou em um traje pouco comum: de terno e óculos escuros espelhados. O uso do acessório, explicou ele, se deu por uma “condição ocular” causada por um vaso sanguíneo rompido. No palanque, Trump fez questão de abordar a vestimenta do chefe do Eliseu. “Eu o observei ontem com aqueles lindos óculos de sol. Que diabos aconteceu?”, disparou o líder americano, olhando em direção ao local onde o francês estava sentado.

“Na verdade, eu gosto dele, é difícil de acreditar”, continuou Trump em tom de brincadeira, antes de começar a explicar sobre como usou a ameaça de impor tarifas para persuadir os países europeus a reduzirem o preço dos medicamentos prescritos nos EUA.

Na véspera, foi a vez de Macron subir ao púlpito. No discurso, ele disse não ser “momento para imperialismos e colonialismos”, defendendo uma atuação conjunta da Europa para frear as investidas dos Estados Unidos na Groenlândia. Ele afirmou que o continente tem “ferramentas muito fortes” e que era preciso “usá-las quando não somos respeitados e quando as regras do jogo não são respeitadas”.

“O mecanismo anticoerção (da União Europeia) é um instrumento poderoso, e não devemos hesitar em utilizá-lo no ambiente difícil de hoje”, acrescentou ele, citando o instrumento criado para limitar acesso ao mercado europeu a parceiros comerciais hostis. Segundo Macron, “o conflito se tornou normal” em um “mundo sem regras, onde o direito internacional é pisoteado e a única regra que parece importar é a do mais forte”, no que soou como um recado a Trump.

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+ Macron defende que Europa não deve hesitar em adotar ações contra Trump por Groenlândia

Trump x Macron

Os impasses entre os dois, contudo, superam a questão da Groenlândia. Na segunda-feira 19, o mandatário da Casa Branca ameaçou aplicar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses em retaliação à decisão de Macron de não participar do Conselho de Paz para Gaza.

 

Na manhã de terça-feira, 20, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, definiu as ameaças de Trump como uma forma de “chantagem”, acrescentando durante entrevista à emissora francesa TF1: “É chocante porque é brutal, é feito para forçar a conformidade”. Trump convidou, ao todo, 49 países mais a UE, incluindo Reino Unido, Canadá, Arábia Saudita, Brasil, Argentina, Catar, Egito, Belarus e Rússia — esse último sob críticas, já que o governo de Vladimir Putin trava há quase quatro anos uma guerra na Ucrânia.

Como parte da campanha de pressão, Trump também publicou na Truth Social, rede social da qual é dono, uma troca de mensagens com Macron. No texto, o chefe do Eliseu diz que concorda com o republicano sobre a Síria e que podem fazer “grandes coisas” no Irã, mas contrapõe: “Eu não consigo entender o que você está fazendo na Groenlândia”, em referência às ameaças de Trump de tomar a região autônoma administrada pela Dinamarca.

Macron também propõe uma reunião do G7, grupo que reúne os países mais industrializados do mundo, e informa que pode chamar os ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que se estenderá até 23 de janeiro. Ele convida, ainda, o líder americano para um jantar em Paris antes de retornar para os EUA. A autenticidade das mensagens foi confirmada.

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