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A dura derrota de Trump e Musk em estado dos EUA

Apesar dos esforços milionários, juíza liberal foi eleita para Suprema Corte de Wisconsin

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 abr 2025, 10h29 • Atualizado em 2 abr 2025, 10h47
  • A juíza liberal Susan Crawford venceu nesta terça-feira, 1, a eleição para a Suprema Corte de Wisconsin, marcada por investimentos polpudos do magnata Elon Musk e de empresários do setor de tecnologia na candidatura do conservador Brad Schimel. No início desta semana, Musk distribuiu cheques de 1 milhão de dólares (cerca de 5,7 milhões de reais) para dois eleitores de Wisconsin, o que democratas consideraram uma tentativa de influenciar o voto de moradores do estado americano.

    “Hoje, os moradores de Wisconsin se defenderam de um ataque sem precedentes à nossa democracia”, disse Crawford no discurso de vitória. “Wisconsin se levantou e disse em voz alta que a justiça não tem preço. Nossos tribunais não estão à venda.”

    Com 84% das urnas apuradas, Crawford disparou à frente de Schimel por 10 pontos percentuais. Pouco mais de uma hora após o fim da votação, a agência de notícias Associated Press já cravou o triunfo da magistrada do condado de Dane. Em comentários na terça-feira após a derrota, Schimel foi vaiado por apoiadores e respondeu ao público: “Não, vocês têm que aceitar os resultados. Os números não vão mudar. Eles são muito ruins, e não vamos conseguir isso.”

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    Musk usou o X, antigo Twitter, para tecer críticas contra a Justiça — uma estratégia em comum com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que alega ser perseguido pelos juízes, mesmo sem provas. Na rede social, da qual é dono, Musk escreveu que “o golpe de longo prazo da esquerda é a corrupção do judiciário”. Por sua vez, o governador de Minnesota, Tim Waltz, que foi companheiro de chapa de Kamala Harris nas eleições de 2024, afirmou: “Wisconsin venceu o bilionário”.

    A vitória de Crawford fará com que os liberais continuem a manter maioria ideológica na Suprema Corte de Wisconsin, por 4-3. Milwaukee, a maior cidade do estado, relatou “participação histórica” na eleição, informando que devido à “alta participação sem precedentes”, sete locais de votação ficaram sem cédulas. Os trabalhadores eleitorais logo trabalharam para repor os recursos em meio à intensa movimentação.

    + Musk distribui cheques de US$ 1 milhão às vésperas de eleição em Supremo estadual

    Influência de Musk

    Na segunda-feira, 31, Musk disse que o pleito no estado era “importante para o futuro da civilização”, uma vez que o tribunal deverá anunciar decisões, em breve, sobre questões como acesso ao aborto, direitos trabalhistas e redistritamento do Congresso (o processo de traçar os limites dos distritos eleitorais, que pode provocar mudanças em resultados nas urnas e “ajudar” republicanos ou democratas). Ao todo, o empresário e aliados gastaram mais de US$ 20 milhões (R$ 115 milhões) para impulsionar Schimel.

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    Com a influência de Musk tornando-se cada vez mais pública, as pessoas “saíram da toca” e as doações de base se intensificaram, disse Ben Wikler, presidente do Partido Democrata em Wisconsin, no mês passado. No geral, os investimentos nas eleições atingiram US$ 100 milhões, quase o dobro do pleito anterior, sendo comparável às principais disputas no Senado dos EUA.

    Em meio às comemorações da vitória de Crawford, o perfil oficial do Partido Democrata no X publicou uma foto de Musk com a legenda: “perdedor”. Ainda na noite história de terça-feira, o presidente do Comitê Nacional Democrata, Ken Martin, também celebrou o resultado.

    “Hoje à noite, o povo de Wisconsin rejeitou diretamente a influência de Elon Musk, Donald Trump e interesses especiais bilionários. E a mensagem deles? Fiquem fora de nossas eleições e fiquem longe de nossos tribunais”, destacou ele em declaração.

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