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Após 16 anos, Viktor Orbán perderá o poder? Geração Z e millennials podem decidir

Nova pesquisa confirma favoritismo da oposição na reta final de campanha que deve colocar em xeque o governo de extrema direita na Hungria

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 10h11 •
  • Uma pesquisa realizada pelo Instituto Zavecz e publicada na noite de segunda-feira, 26, no portal de notícias Telex confirmou a tendência de favoritismo da oposição na reta final da campanha eleitoral na Hungria. Segundo o levantamento, o partido de centro-direita Tisza mantém vantagem de 10 pontos percentuais sobre o Fidesz, do primeiro-ministro Viktor Orbán, que desde 2010 acumulou três mandatos consecutivos.

    O pleito parlamentar, marcado para 12 de abril, representa o primeiro desafio real ao líder nacionalista de extrema direita em seus 16 anos de governo. A votação também pode ter grandes implicações para a Europa e suas forças políticas ultradireitistas. Orbán, aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem entrado em conflito frequente com a União Europeia sobre a erosão dos valores democráticos na Hungria, o que ele nega.

    O voto da Geração Z e dos millennials

    A nova pesquisa, realizada entre 19 e 24 de janeiro, mostrou que, entre os eleitores que já decidiram seu voto, o partido Tisza tinha 49% de apoio, um aumento em relação aos 47% de novembro, enquanto o Fidesz obteve 39%, um ponto a mais que em novembro. O partido de extrema-direita Mi Hazank (Nossa Pátria) recebeu o apoio de 5% dos eleitores que já decidiram seu voto.

    O Tisza, liderado pelo ex-membro do governo Peter Magyar, tem apoio esmagador entre os eleitores com menos de 39 anos, das chamadas gerações Z e Millennial. Entre os jovens, a oposição acumula 41% das intenções de voto, enquanto o Fidesz tem apenas 22%. A legenda de Orbán continua popular apenas entre os eleitores com mais de 59 anos (embora com vantagem inferior, de três pontos percentuais) e aqueles que vivem em vilarejos e pequenas cidades, de acordo com a pesquisa.

    A sigla de oposição, que entrou na política em 2024, prometeu combater a corrupção, desbloquear bilhões de euros em fundos que a União Europeia congelou devido às manobras antidemocráticas de Orbán, impulsionar a economia e consolidar a permanência da Hungria no bloco.

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    A maioria das pesquisas mostra o Fidesz atrás do Tisza, apesar das medidas que o governo Orbán tomou nos últimos meses para tentar agradar os eleitores após três anos de estagnação econômica na Hungria. Entre elas estão um complemento às aposentadorias, cortes de impostos para famílias, aumentos salariais e um programa massivo de empréstimos destinados à compra ou aluguel de imóveis. Para pagar por tudo isso, o premiê garantiu que estaria coberto por um tal de “escudo financeiro” dos Estados Unidos — em troca da compra de US$ 600 milhões em gás natural liquefeito americano pela Hungria.

    Um legado controverso

    Orbán vem pintando as eleições de 2026 como uma escolha entre guerra e paz, retratando seu governo como a única opção segura em meio à guerra na Ucrânia enquanto fala de Kiev como indigna de apoio. Aliás, seu governo convocou o embaixador ucraniano na segunda-feira devido ao que o primeiro-ministro classificou como “tentativas de interferência” na votação de 12 de abril, ao passo que tenta associar o rival Magyar aos gastos europeus com a assistência militar ao país invadido pela Rússia.

    Enquanto isso, ele mantém laços próximos com o russo Vladimir Putin. A motivação do primeiro-ministro é, acima de tudo, pragmática: ideologias à parte, a Hungria depende do gás e de investimentos russos para suprir a maior parte da energia que consome e, com um inverno rigoroso em andamento e uma eleição difícil pela frente, a última coisa que o governo quer é ter de aumentar a conta do aquecimento dos húngaros por causa de trombadas com o Kremlin.

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    No poder desde 2010, acumulando três mandatos consecutivos, Orbán angariou vasta base popular com seu discurso ultraconservador, xenófobo e propagador da “Europa cristã”, facilitado pelo aniquilamento, à custa de censura e aperto financeiro, de toda a imprensa livre, silenciamento de opositores, aparelhamento das universidades e o sequestro de instituições como o Judiciário. Figurão do ultranacionalismo e da defesa da “alma húngara” que manifesta repulsa aberta a imigrantes e aos movimentos LGBTQIA+, ele endossa o que chama de “democracia iliberal” (também conhecida como ditadura).

    As atitudes do líder populista batem de frente com os estatutos da União Europeia, que promovem a igualdade e os direitos democráticos. Até agora, porém, seus arroubos só renderam advertências e atrasos na liberação de recursos, enquanto o bloco segue empurrando o problema com a barriga, tentando evitar punições mais desgastantes e mexer no vespeiro das diferenças nacionais.

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