Bill Gates pede desculpas a funcionários por vínculos com Epstein
Em reunião interna da Fundação Gates, bilionário admite erros, aborda casos extraconjugais e reconhece impacto sobre reputação da instituição
O fundador da Microsoft, Bill Gates, pediu desculpas a funcionários da Fundação Gates por sua antiga relação com Jeffrey Epstein, o financista americano condenado por crimes sexuais.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, em reunião interna realizada na terça-feira, 24, o empresário reconheceu que sua aproximação com Epstein foi um erro e admitiu que o episódio abalou a credibilidade da instituição filantrópica.
“Foi um grande erro passar tempo com Epstein e levar executivos da fundação a reuniões com ele”, disse Gates, segundo uma gravação analisada pelo veículo. “Peço desculpas a outras pessoas que foram envolvidas nisso por causa do erro que cometi”. Gates acrescentou que, apesar de se encontrar frequentemente com Epstein, nunca foi à ilha particular do financista. “Nunca passei a noite lá, nem visitei a ilha de Epstein”, afirmou.
Durante o encontro, Gates também falou sobre sua vida pessoal, confirmando que manteve dois relacionamentos extraconjugais com mulheres russas: uma jogadora de bridge que conheceu em torneios e uma física nuclear apresentada em compromissos profissionais.
Segundo ele, os casos não tinham ligação com as vítimas de Epstein e só vieram ao conhecimento do financista posteriormente. “Não fiz nada de ilícito. Não vi nada de ilícito”, afirmou.
O empresário comentou ainda sobre imagens divulgadas recentemente nos arquivos de investigação, nas quais aparece ao lado de mulheres com os rostos ocultados. Segundo Gates, as fotos foram feitas a pedido de Epstein após reuniões e retratavam assistentes do financista.
“Para deixar claro, eu nunca passei nenhum tempo com as vítimas, as mulheres que o cercavam”, declarou.
Gates também reconheceu que a presença de outras figuras influentes nas reuniões contribuiu para que subestimasse a gravidade da situação.
“Saber o que sei agora torna tudo cem vezes pior, não apenas pelos crimes que ele cometeu, mas porque ficou claro que houve uma conduta inadequada contínua”, disse.
Ele afirmou ainda que percebe que sua associação acabou reforçando a reputação de Epstein.
As explicações ocorrem em meio à divulgação de novos e-mails nos arquivos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que reacenderam questionamentos sobre a extensão do relacionamento entre Gates e Epstein.
Parte das mensagens indica trocas de contato e encontros após a condenação de Epstein, em 2008, por crimes relacionados à exploração sexual.
Gates afirmou que continuou se encontrando com Epstein mesmo depois que sua então esposa, Melinda French Gates, expressou preocupação em 2013.
Entre os documentos divulgados, há mensagens de Epstein enviadas a si mesmo, rascunhando uma carta de demissão do então conselheiro científico de Gates, Boris Nikolic, e mencionando “encontros ilícitos” relacionados a disputas conjugais.
Um porta-voz da Fundação Gates disse ao WSJ que o empresário realiza encontros abertos com funcionários duas vezes por ano e que, desta vez, “falou de forma franca, respondeu a perguntas detalhadamente e assumiu responsabilidade por seus atos”.





