Câmara dos EUA vota nesta terça projeto para encerrar shutdown
Paralisação do governo federal nasceu da recusa dos democratas em financiar serviços de migração no país
O Congresso dos Estados Unidos colocará em votação nesta terça-feira, 3, um projeto para encerrar o mais recente shutdown, que paralisou o orçamento do governo federal há três dias pela recusa dos democratas em financiar os serviços de imigração no país.
Na noite de segunda-feira, o Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados votou a favor de avançar com o pacote aprovado no Senado para uma votação no plenário, o que deve acontecer nesta terça. O presidente americano, Donald Trump, instou o Congresso a aprovar a legislação necessária para desbloquear a paralisação orçamentária, que apesar de um acordo ainda não tem um desfecho claro.
Este é o segundo shutdown em menos de seis meses nos Estados Unidos, embora, nesta ocasião, os efeitos em Washington e no resto do país sejam menos evidentes.
“Espero que todos os republicanos e democratas se juntem a mim para apoiar este projeto de lei e o enviem ao meu gabinete SEM DEMORA. Neste momento, NÃO PODE HAVER MUDANÇAS”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.
Política anti-imigração
O bloqueio foi provocado pela recusa de vários legisladores democratas a manter o financiamento dos serviços de imigração, depois que agentes federais do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, e da CBP, a patrulha de fronteiras, mataram a tiros dois manifestantes contrários às operações para deter estrangeiros em situação irregular na cidade de Minneapolis, em Minnesota.
Essas mortes enfureceram diversos políticos do Partido Democrata, que conseguiram adiar na semana passada a votação de várias leis orçamentárias. Na sexta-feira 30, o Senado acabou aprovando cinco projetos de finanças públicas que permitiriam manter o funcionamento da maioria das agências federais até setembro, mas, no caso do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), que abriga o ICE e a CBP, o prazo é de apenas duas semanas. Ou seja, democratas e republicanos na Câmara negociam sob pressão.
O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, tentou minimizar a gravidade da situação e assegurou no fim de semana que a votação desta terça-feira seria uma “formalidade”. Ele, no entanto, deve enfrentar oposição não apenas do Partido Democrata, mas de uma ala conservadora em sua própria legenda.
Além disso, um novo deputado democrata tomou posse no Congresso na segunda-feira após uma eleição suplementar no Texas. Isso significa que os republicanos não podem perder mais do que um voto de seu próprio partido para aprovar a legislação.
Reformas
Os democratas exigem mudanças no DHS após a morte, no fim de janeiro, de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, e de Renee Good, poeta e mãe de três, também de 37 anos, ambos cidadãos americanos alvejados por agentes federais da polícia de imigração em Minneapolis.
Desde então, a sigla de oposição se recusou a votar qualquer orçamento para o DHS sem a implementação de reformas significativas nas operações de seus agentes. Os deputados do Partido Democrata exigem, em particular, o uso sistemático de câmeras corporais, a proibição do uso de balaclavas pelo ICE e ordens judiciais para autorizar detenções.
Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara, afirmou no domingo à emissora americana ABC News que não é suficiente “se contentar com palavras” e que o governo Trump deveria aplicar tais medidas imediatamente.
Embora os republicanos tenham acenado positivamente ao uso das câmeras corporais, já bastante difundido, mostram-se muito reticentes em relação às operações com a face descoberta, pois afirmam que ativistas assediam agentes de imigração e divulgam todos os dados pessoais que conseguem obter sobre eles. Os mandados judiciais, por sua vez, são necessários para revistar um domicílio, mas não para deter alguém na rua.
Votação apertada
Diante das ameaças de alguns legisladores de sua sigla, Mike Johnson pode necessitar de votos da oposição.
“Precisamos de boa-fé de ambos os lados”, afirmou ele no domingo.
Embora o shutdown esteja em seu terceiro dia, os Estados Unidos provavelmente não terão uma repetição do bloqueio de outubro e novembro de 2025, quando republicanos e democratas demoraram 43 dias para chegar a um consenso devido a disputas sobre os subsídios aos seguros de saúde.
Na época, centenas de milhares de funcionários foram colocados em paralisação técnica, enquanto outros com funções consideradas essenciais tiveram que seguir trabalhando sem receber seus salários.
A última paralisação terminou quando alguns senadores democratas decidiram votar a favor de um texto orçamentário elaborado pelos republicanos, em troca da promessa de uma votação futura e separada sobre os subsídios de saúde.





