CELAC se reúne neste domingo para discutir ataque dos EUA à Venezuela
Reunião acontece na véspera do encontro do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que também abordará o assunto
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) vai se reunir na tarde deste domingo, 4, para discutir o ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. O encontro está marcado para as 14 horas (horário de Brasília). Os chefes de Estado devem se reunir via videoconferência.
Os países membros da CELAC são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela na América do Sul. Na América Central e Caribe, os países membros são Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago.
A reunião tem como objetivo discutir o posicionamento da região e levar demandas para o encontro de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi convocado em caráter de emergência para discutir o ataque americano contra a Venezuela. No sábado, os EUA bombardearam a Venezuela e capturaram o ditador, Nicolás Maduro, por suposto envolvimento com narcoterrorismo.
Em coletiva com a imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que seu país deve governar a Venezuela até encontrar uma transição pacífica e adequada. O americano também declarou que as empresas petroleiras dos EUA devem explorar a reserva de petróleo da Venezuela, a maior do mundo.
A intervenção americana na soberania da Venezuela causou reações díspares em todo o mundo, inclusive dentro dos Estados Unidos. O The New York Times, um dos principais jornais americanos, classificou a invasão norte-americana à Venezuela como “ilegal e imprudente”. Para os editorialistas, as ações dos Estados Unidos no passado mostram que incursões do tipo criaram mais problemas do que salvação, como no caso do Afeganistão. Veja detalhes nesta reportagem.
A União Europeia (UE) foi uma das primeiras a se pronunciar, com uma declaração da chefe de política externa do grupo, Kaja Kallas, que disse que conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o embaixador da UE em Caracas. “A União Europeia afirmou repetidamente que [Nicolás] Maduro não tem legitimidade e defendeu uma transição pacífica”, escreveu na rede social X. Ela ainda fez um apelo para que os princípios do direito internacional e da Carta da Organização das Nações Unidas sejam respeitados durante o conflito.
A China emitiu comunicado neste domingo, 4, em que pede que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após ataques militares de grande escala contra Caracas e outras regiões do país e a captura do líder venezuelano por forças americanas. Em comunicado, o governo chinês afirmou que a segurança de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, deve ser prioridade e instou Washington a “parar de derrubar o governo da Venezuela”. Pequim classificou a operação como uma “clara violação do direito internacional”.
Países da CELAC não estão totalmente unidos
A divergência sobre a intervenção americana em um país soberano também é marcada dentro dos membros da própria CELAC. O presidente da Argentina, Javier Milei, que é alinhado ao trumpismo, publicou uma mensagem curta com seu slogan de campanha: “A liberdade avança. Viva a liberdade, caramba”. Ele não fez nenhuma menção ao primeiro conflito em muitos anos na América Latina.
Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, primeiro chefe de Estado de esquerda do país, publicou uma nota apontando “profunda preocupação” e defendendo uma desescalada do conflito, pela paz na região. “O governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil”. Além disso, informou que “de forma preventiva, o Governo Nacional dispôs medidas para proteger a população civil, preservar a estabilidade na fronteira colombo-venezuelana e atender oportunamente eventuais necessidades humanitárias ou migratórias, em coordenação com as autoridades locais e os organismos competentes”. Petro passou horas usando o X para republicar vídeos dos ataques e criticar todo o ocorrido.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, de centro-esquerda, escreveu que o país também está preocupado e afirmou que “condena as ações militares dos EUA”. “Fazemos um pedido para que se busque uma saída pacífica para a grave crise que afeta o país”. Ele também reafirmou a adesão e o compromisso do Chile com os princípios básicos do direito internacional, pedindo diálogo e apoio multilateral.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou a ação militar contra a Venezuela e disse que a medida abre “um precedente perigoso”. Especialistas ouvidos por Veja temem que a avaliação esteja correta e a investida contra território venezuelano represente riscos sistêmicos ao direito internacional.
Em suma, a reunião da CELAC, que ocorrerá neste domingo, trará algum posicionamento da região que pode ser apresentada na reunião do conselho de segurança da ONU na próxima segunda-feira. A nota final ainda é incerta diante das conversas a serem realizadas na reunião que começa nessa tarde.






