O diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou nesta sexta-feira, 21, que a entidade espera o fim da pandemia da Covid-19 em menos de dois anos. Adhanom ressaltou que será necessária a cooperação entre os governos nacionais.
“Esperamos acabar com essa pandemia em menos de dois anos, acima de tudo, se conseguirmos unir esforços”, disse o diretor-executivo em coletiva de imprensa na sede da OMS, em Genebra, na Suíça. Adhanom ressaltou que será necessária a conclusão de uma vacina para que o prazo seja cumprido.
“Se usarmos o máximo os recursos disponíveis e torcermos para que possamos ter ferramentas complementares como as vacinas, acho que podemos acabar [com essa pandemia] em um período de tempo mais curto do que a gripe de 1918”, analisou. A comunidade acadêmica estima que a gripe espanhola, como a pandemia foi batizada popularmente, persistiu por cerca de dois anos e um mês: de meados de março de 1918, quando, nos Estados Unidos, foi reportado o primeiro caso mundial, até meados de abril de 1920.
“O vírus tem mais chances de se espalhar, porque nós estamos mais conectados. Mas, ao mesmo tempo, temos a tecnologia e o conhecimento para pará-lo”, explicou Adhanom. “Nós temos a desvantagem da globalização, como proximidade e conectividade, mas uma vantagem de tecnologia melhor”, concluiu.
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Clique e AssineDurante a pandemia de gripe espanhola, cerca de 500 milhões de pessoas foram contaminadas — o equivalente a um terço da população mundial na época. Pelo menos 50 milhões morreram em decorrência da doença. Segundo estimativa desta sexta do jornal The New York Times, quase 23 milhões de pessoas contraíram a Covid-19, e dentre elas 795.000 faleceram, desde dezembro de 2019.
Corrupção ‘assassina’
Adhanom também denunciou nesta sexta os escândalos de corrupção na África do Sul na negociação da compra de equipamentos de proteção pelo poder público.
“Se os trabalhadores da saúde trabalharem sem equipamentos de proteção, suas vidas correm perigo. E isso também põe em risco a vida das pessoas a quem servem. Portanto, é crime e é assassinato. Isso tem que acabar”, afirmou o diretor-executivo.
Os casos começaram a ser investigados por fiscais independentes do governo sul-africano no início de agosto. Profissionais de saúde no país reclamam da falta de equipamentos de proteção.
(Com AFP)