Cuba se diz pronta para dialogar com os EUA, mas ‘sem pressão ou pré-condições’
Fala do presidente Miguel Díaz-Canel vem após Trump atacar seu regime (uma 'nação falida') e declarar que Venezuela interrompeu apoio financeiro e energético
Cuba está pronta para dialogar com os Estados Unidos sobre qualquer assunto, mas “sem pressão ou pré-condições”, disse o presidente do país, Miguel Díaz-Canel, nesta quinta-feira, 5, em um pronunciamento televisionado.
O líder cubano afirmou que quaisquer negociações com o governo do presidente Donald Trump devem ocorrer “a partir de uma posição de iguais, com respeito à nossa soberania, nossa independência e nossa autodeterminação” e sem “interferência em nossos assuntos internos”.
Pressão dos EUA
O presidente americano também disse que o México deixará de enviar petróleo a Cuba, um dia depois de ameaçar impor tarifas a países que comercializem combustível com o governo Díaz-Canel. O fim do fornecimento de petróleo bruto mexicano para a ilha caribenha agravaria significativamente a grave crise econômica da ilha, a pior desde o colapso da União Soviética em 1991.
“Eles não estão recebendo dinheiro da Venezuela e não estão recebendo dinheiro de lugar nenhum”, disse Trump a repórteres. Ao mesmo tempo, afirmou que seu governo está em negociações com líderes cubanos. “Acho que estamos bem perto. Estamos conversando com as pessoas mais importantes de Cuba neste momento”, acrescentou.
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, por sua vez, afirmou na quarta-feira 4 que os países ainda não estabeleceram “um diálogo bilateral”, mas tiveram “algumas trocas de mensagens” que estavam “ligadas” aos mais altos níveis do seu governo.
“Não estamos prontos para discutir nosso sistema constitucional, pois supomos que os Estados Unidos também não estão prontos para discutir seu sistema constitucional, seu sistema político, sua realidade econômica”, disse Fernández de Cossío. “Cuba não representa nenhuma ameaça para os Estados Unidos. Não é agressivo contra os Estados Unidos. Não é hostil. Não abriga terrorismo, nem patrocina o terrorismo”, completou.
Em meio à interrupção no fornecimento de combustível à ilha, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para o risco de um “colapso” humanitário caso o país não consiga importar petróleo para atender às suas necessidades básicas.





