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Edmundo González: “Lula deve ser mais claro”

O diplomata é reconhecido por diversos países como presidente da Venezuela — cadeira na qual se diz pronto para sentar

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 19 dez 2025, 10h57
  • O diplomata Edmundo González Urrutia, 76 anos, é reconhecido por diversos países como presidente da Venezuela — cadeira na qual se diz pronto para sentar e que, segundo organizações internacionais sérias, foi surrupiada por Nicolás Maduro em 2024. De seu apartamento em Madri, na Espanha, onde se exilou, ele falou à repórter Amanda Péchy.

    O senhor é a favor de uma ação militar dos Estados Unidos para derrubar Maduro? Não. O futuro do país pertence aos venezuelanos, embora a ajuda para acabar com a era Maduro seja bem-vinda. Há um alinhamento de objetivos com o governo Trump. Todos querem o fim da ditadura. Minha equipe conversa regularmente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e concordamos com sua postura dura.

    O que espera da Casa Branca? Pressão. É preciso que o preço de manter o poder pela força fique insustentável. Maduro tem que sair.

    E há chances reais sem uma intervenção externa? Acredito em uma solução pacífica e democrática. O regime se recusou a reconhecer minha vitória em 2024, mas é inevitável que Maduro perceba que seu tempo acabou. Ele vive um momento de rejeição sem igual: 70% votaram contra.

    Lula se ofereceu para intermediar conversas. Confia nele? Valorizo suas opiniões, mas não sei dizer. Não mantemos diálogo. Gostaria que sua posição sobre a Venezuela fosse mais clara. Nossa prioridade agora é que ele reconheça a vitória da oposição.

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    Trump afirma que a Venezuela se tornou um narcoestado. Procede? Não se produzem drogas lá, mas estamos na rota. Maduro age de forma irresponsável ao permitir que atores externos, como as milícias colombianas, atuem no país.

    Com a queda de Maduro, quem assumiria o Palácio de Miraflores: o senhor ou María Corina Machado? Já realizamos eleições, e os resultados mostram que venci por ampla margem. Quando assumir o posto, nomearei Machado como vice. Temos esse acordo.

    Como presidente, cederia a exploração de petróleo e outras riquezas para empresas americanas? Ofereceremos oportunidades a todos que desejam investir na Venezuela, sob regras claras e em conformidade com as normas do comércio internacional. O plano é ser o centro energético das Américas.

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    Como são os dias no exílio? Tenho trabalhado intensamente, participando de conferências e fóruns onde falo dos obstáculos e avanços da oposição. Sinto saudades da minha terra, quero voltar. Estou pronto para ajudar o país a virar a página.

    Publicado em VEJA de 19 de dezembro de 2025, edição nº 2975

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