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Em meio a guerra com Irã, Exército dos EUA eleva a idade máxima de alistamento

Mudança acontece após meta de recrutamento não ter sido atingida por dois anos consecutivos

Por Luiza Zubelli 26 mar 2026, 15h46 • Atualizado em 26 mar 2026, 16h54
  • O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 26, que elevará a idade máxima para o alistamento de 35 para 42 anos. A medida, que entra em vigor em 20 de abril, busca alinhar os requisitos aos outros ramos militares, como a Força Aérea, que já havia feito o mesmo movimento em 2023, e a Marinha (41 anos). Além disso, a instituição flexibilizou restrições anteriores para quem deseja se alistar, deixando de barrar candidatos com condenações anteriores por posse de maconha.

    A decisão ocorre em um momento crítico, em que os Estados Unidos enfrentam uma guerra contra o Irã. Só esta semana, o Pentágono ordenou o envio de cerca de 2 mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército para o Oriente Médio.

    Apesar do conflito atual, especialistas como Katherine Kuzminski, do Centro para uma Nova Segurança Americana, disseram ao jornal americano The New York Times que a mudança é uma resposta a anos de dificuldades para atingir metas de recrutamento e ao envelhecimento da população americana, e não apenas uma reação imediata à guerra.

    De acordo com um relatório do think tank RAND Corporation, recrutas mais velhos apresentam um desempenho ambivalente: embora tenham maior probabilidade de serem reprovados no treinamento básico, aqueles que concluem a formação tendem a ser promovidos mais rapidamente e apresentam taxas de permanência (realistamento) superiores às de soldados com menos de 20 anos. Para Kuzminski, esses soldados trazem maturidade e habilidades técnicas essenciais em áreas como segurança cibernética, logística e transporte.

    Desfalques na caserna

    Segundo o NYT, nos anos de 2022 e 2023, o Exército enfrentou crises significativas, deixando a desejar no alcance de metas de recrutamento. Apesar do objetivo ambicioso de atrair 60 mil recrutas em 2022, apenas cerca de 45 mil foram convocados. O ano seguinte repetiu o desfalque de 15 mil pessoas.

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    Recentemente, porém, houve uma melhora repentina nos dados: em 2025, mais de 62 mil se alistaram, superando a meta estabelecida. Para o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, o sucesso da campanha tem a ver com o apoio político ao presidente Donald Trump. No entanto, oficiais do Exército acreditam que o impacto de programas de treinamento físico e acadêmico para candidatos e o aumento do desemprego entre jovens de 16 a 24 anos foram fatores decisivos.

    A nova regulamentação também elimina a necessidade de isenções oficiais para recrutas com uma única condenação por posse de maconha ou instrumentos para uso de drogas. Esse processo, antes, poderia levar meses. A mudança revela a necessidade das Forças Armadas de se adaptarem a uma realidade em que quase metade dos estados americanos legalizou o uso recreativo de maconha. O Exército reforçou, porém, que não tolera o consumo de substâncias ilícitas entre seus membros ativos.

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