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Era de extremos: a fúria da nevasca nos Estados Unidos

Na capital Washington, o Capitólio fazia lembra uma tela impressionista, já que mal se avistava os contornos do prédio exemplar da arquitetura neoclássica

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jan 2026, 06h00 | Atualizado em 30 jan 2026, 11h39
Era de extremos: a fúria da nevasca nos Estados Unidos Priorizar nos meus resultados Google

Uma nevasca de fúria e extensão raras imprimiu na paisagem dos Estados Unidos variados tons de branco nos últimos dias, produzindo recordes sentidos na pele — literalmente. Moradores de alguns estados mais ao norte despertaram com os termômetros em 30 graus negativos, temperatura que congela em minutos a derme. E as pessoas naturalmente tiveram de se adaptar: 700 000 chegaram a ficar sem luz, nunca tantos voos foram cancelados em tão poucas horas (à exceção da pandemia) e Nova York acumulou montanhas de neve que não eram vistas há mais de um século. A recomendação era ficar em casa, mas teve gente que resolveu fazer do Central Park uma vasta pista de esqui, com direito a acrobacias e tudo — um colorido em meio à pálida brancura de ruas completamente vazias. Na capital Washington, o Capitólio fazia lembrar, na segunda-feira 26, uma tela impressionista, já que mal se avistava os contornos do prédio exemplar da arquitetura neoclássica. Com as aulas suspensas, a criançada deslizava na encosta íngreme do edifício do Congresso a bordo de trenós. O presidente Donald Trump, que enquanto enfrentava os desdobramentos da crise deflagrada por sua política migratória aprovou a declaração de emergência em dez estados, não perdeu a oportunidade de sugerir que o frio intenso é mais um sinal de que a comunidade científica erra ao dizer que o planeta está aquecendo. “O que aconteceu com o aquecimento global?”, provocou em sua rede Truth Social, colidindo com a explicação fornecida pelos serviços de meteorologia — o fenômeno foi justamente amplificado pelo choque de uma massa de ar polar com uma espessa camada de umidade que tem tudo a ver com a escalada do calor. Não resta dúvida: outras tempestades virão nesta era de extremos em que vivemos hoje.

Publicado em VEJA de 30 de janeiro de 2026, edição nº 2980

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