EUA ordenam saída de funcionários da embaixada no Líbano
Decisão ocorre enquanto governo Trump amplia presença militar no Oriente Médio
Por Ernesto Neves 23 fev 2026, 14h37 • Atualizado em 23 fev 2026, 14h46
Os Estados Unidos ordenaram a saída de funcionários não essenciais da embaixada em Beirute, no Líbano, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. A medida foi confirmada nesta segunda-feira (23) por um alto funcionário do Departamento de Estado.
Segundo a autoridade, Washington concluiu ser “prudente reduzir nossa presença ao pessoal essencial” após nova avaliação do ambiente de segurança.
A representação diplomática continuará operando com equipe reduzida. A ordem também inclui familiares elegíveis de funcionários que não exerçam funções emergenciais.
A decisão ocorre enquanto o presidente Donald Trump intensifica ameaças contra o Irã e amplia o envio de recursos militares à região. Nas últimas semanas, o republicano tem elevado o tom contra Teerã, alimentando temores de um confronto direto.
Líbano sob pressão
O movimento americano se dá em um momento de fragilidade interna no Líbano. O grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã e enfraquecido após a ofensiva israelense de 2024, não descarta intervir militarmente em apoio a Teerã caso uma guerra ecloda.
Washington é o principal financiador das Forças Armadas libanesas e tem ampliado sua atuação política no país desde o conflito que reduziu a influência do Hezbollah. Os EUA também foram o principal patrocinador do cessar-fogo firmado em 2024 entre Israel e o grupo.
Autoridades libanesas, no entanto, acusam Israel de violar o acordo quase diariamente com ataques aéreos e ações militares no território do país. Na sexta-feira (20), bombardeios israelenses deixaram ao menos 12 mortos.
Israel também mantém cinco posições militares dentro do território libanês, segundo Beirute, o que configuraria descumprimento da trégua.
Em janeiro, o governo libanês apresentou queixa às Nações Unidas afirmando ter documentado mais de 2.000 violações da soberania do país por parte de Israel nos últimos meses de 2025.
Temor de guerra regional
Em pronunciamentos recentes, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo está atento à possibilidade de um ataque contra o Irã e não descartou envolvimento no conflito.
Segundo ele, o Líbano pode ser atingido como parte de uma eventual guerra mais ampla.
Analistas veem risco de que Israel amplie suas ofensivas no Líbano para enfraquecer definitivamente o Hezbollah antes — ou durante — um confronto com Teerã.
O enfraquecimento do grupo libanês é considerado um revés importante para o chamado “Eixo da Resistência”, rede de aliados regionais do Irã.
Ainda assim, outras milícias apoiadas por Teerã, como a iraquiana Kataib Hezbollah, já ameaçaram iniciar uma “guerra total” caso EUA ou Israel ataquem o território iraniano.
Histórico de ataques
A decisão de reduzir o quadro diplomático em Beirute também remete ao histórico de ataques contra interesses americanos no Líbano.
Em 1983, durante a Guerra Civil Libanesa, um atentado com carro-bomba contra a embaixada dos EUA matou dezenas de pessoas, incluindo 17 americanos.
Meses depois, um ataque suicida contra o quartel dos fuzileiros navais dos EUA na capital deixou 241 militares mortos.
Desde então, a embaixada americana passou a funcionar em um complexo fortificado em Aaoukar, subúrbio ao norte de Beirute, considerado uma das maiores missões diplomáticas dos EUA no mundo.
A retirada parcial anunciada agora é descrita por Washington como temporária. O gesto, contudo, sinaliza o aumento das preocupações de segurança em um cenário de crescente instabilidade regional.






