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Irã diz que negociações com EUA em Omã foram ‘bom começo’ e devem continuar

Reunião acontece após uma série de ameaças do presidente Donald Trump sobre um ataque caso a diplomacia falhe

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 fev 2026, 14h37 • Atualizado em 6 fev 2026, 14h49
  • Estados Unidos e Irã concluíram nesta sexta-feira, 6, negociações em Omã sobre um possível acordo de não-proliferação de armas nucleares. A reunião marca o primeiro encontro diplomático entre Washington e Teerã desde que os americanos se aliaram a Israel contra a nação persa durante uma guerra aérea de 12 dias em junho passado.

    O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que as negociações foram um “bom começo” e devem continuar. A mídia iraniana disse que a cúpula terminou com uma “vontade de continuar”, sem especificar uma data para o próximo encontro.

    O ministro das Relações Exteriores de Omã e mediador do encontro, Badr al-Busaidi, declarou que as negociações foram “muito sérias”, com resultados a serem avaliados cuidadosamente por ambos os países.

    De acordo com a mídia iraniana, Araghchi apresentou a al-Busaidi um “plano preliminar” para “gerenciar a situação atual” entre o Irã e os EUA em uma tentativa de avançar nas negociações. O plano teria então sido transmitido à delegação dos EUA.

    Minutos antes do início da reunião, Araghchi disse a al-Busaidi que Teerã está “disposta a defender a soberania e a segurança nacional do país diante de qualquer exigência excessiva ou aventura” por parte dos Estados Unidos.

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    “A República Islâmica utiliza a diplomacia para defender os interesses nacionais”, afirmou o ministro iraniano das Relações Exteriores.

    A Casa Branca, por sua vez, afirmou na quinta-feira 5 que Trump prefere resolver as questões por vias diplomáticas, mas possui “muitas outras opções à sua disposição”.

    “A diplomacia é sempre a primeira opção quando se trata de lidar com países de todo o mundo, sejam eles nossos aliados ou nossos adversários”, disse a porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, a repórteres.

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    Enquanto Teerã sustenta que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins puramente energéticos, Washington, bem como Israel e países europeus, acusam o país de tentar desenvolver uma bomba atômica.

    Washington quer colocar questões como o desenvolvimento de mísseis iranianos em pauta durante as negociações, mas Teerã já alertou que não fará concessões em relação ao seu programa de mísseis balísticos — um dos maiores do Oriente Médio —, o que considera uma linha vermelha nas negociações. É com essas armas, aliás, que ameaçou retaliar em caso de um ataque dos Estados Unidos.

    Trump não detalhou publicamente o que busca em um possível acordo. Os pontos de negociação anteriores de seu governo incluíram a proibição do enriquecimento de urânio pelo Irã, restrições a mísseis balísticos de longo alcance e o fim do apoio iraniano à sua já enfraquecida rede de grupos armados no Oriente Médio. Anteriormente, Teerã indicou que todas as três exigências são violações inaceitáveis de sua soberania, mas entende-se que o maior obstáculo diz respeito aos mísseis.

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    Ameaças de Washington

    Nas últimas semanas, Trump despachou uma “enorme armada” ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, e alertou que “coisas ruins” aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado.

    Na terça-feira 3, as tensões na região aumentaram depois que o porta-aviões abateu um drone que teria se aproximado de forma “agressiva” da embarcação, além de o Comando Central das Forças Armadas americanas ter acusado navios da Guarda Revolucionária Islâmica de “importunarem” um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.

    Nesta sexta, a China emitiu comunicado em apoio ao Irã “na defesa de sua soberania, segurança, dignidade nacional e direitos e interesses legítimos”, e condenou o que chamou de “intimidação unilateral”.

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    Escalada das tensões

    A crise entre Estados Unidos e Irã, nutrida ao longo do ano passado com a guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares da nação persa, aumentou de tom diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano. As manifestações, motivadas inicialmente pelo derretimento da moeda local, o rial, e a crise inflacionária subsequente, cresceram e passaram a pedir o “fim da ditadura” e a deposição do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. No auge dos atos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes e chegou a dizer que a ajuda estava “a caminho”.

    No entanto, as tensões enfraqueceram após as autoridades iranianas desistirem das execuções de manifestantes presos que estariam sendo planejadas. Na semana passada, o presidente americano disse que navios de guerra americanos estavam sendo enviados “por precaução” e que acompanhava de perto a situação no país. “Vamos ver o que acontece”, afirmou à época.

    A liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos quebrar seu controle do poder, levando uma população já enfurecida de volta às ruas, de acordo com autoridades iranianas ouvidas pela agência de notícias Reuters. Em Omã, a prioridade deve ser evitar conflitos e reduzir a tensão.

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