Leão XIV: na estrada para construir pontes
Na quinta-feira 27, ele iniciou seu primeiro périplo internacional
Os papas viveram quase sempre entre quatro paredes no Vaticano, com raras exceções. Até João Paulo II, que chegou ao trono de Pedro em 1978 e reinventou a história, com 129 viagens apostólicas, em recorde absoluto. Bento XVI e Francisco puseram menos as sandálias da humildade na estrada, mas também tomaram gosto pela pregação longe de Roma. Na semana passada, o discreto pontífice Leão XIV, entronizado em maio deste ano e afeiçoado à discrição, decidiu, enfim, também sair por aí. Na quinta-feira 27, ele iniciou seu primeiro périplo internacional. Imaginava-se que visitaria os Estados Unidos, onde nasceu, ou o Peru, país de sua formação litúrgica. O trajeto definido: Turquia e Líbano. Na Turquia, onde foi recebido por autoridades políticas e religiosas, participará das festas de 1 700 anos do Concílio de Niceia, rezará com o patriarca ecumênico Bartolomeu e assinará uma declaração conjunta como gesto de unidade entre católicos e ortodoxos. No Líbano, buscará apoiar cristãos e outras comunidades afetadas pela crise, além de rezar no local da explosão do porto de Beirute, em 2020. Falará em inglês na Turquia e em inglês e francês no Líbano. Os destinos fazem sentido. A região foi o berço e o centro do cristianismo. Istambul — então Constantinopla — foi a capital dos impérios romano e bizantino por mais de um milênio, e no coração de uma fenda religiosa centenária. A escolha do americano Robert Francis Prevost mostra interesse bonito em construir pontes.
Publicado em VEJA de 28 de novembro de 2025, edição nº 2972








