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Macron elogia francesa vítima de estupros em série por ‘coragem e dignidade’

Gisèle Pelicot sofreu abuso sexual nas nãos do marido e outros 70 homens por quase uma década; ele foi condenado a 20 anos de prisão

Por Redação Atualizado em 20 dez 2024, 09h28 - Publicado em 20 dez 2024, 09h27

O presidente da França, Emmanuel Macron, prestou homenagem a Gisèle Pelicot nesta sexta-feira, 20, pela força que ela demonstrou ao longo do julgamento que expôs os estupros em série que ela sofreu nas mãos do ex-marido, Dominique, e outros 70 homens ao longo de quase uma década. Os crimes, que estarreceram os franceses e pessoas mundo afora, a transformaram num símbolo feminista devido ao seu desejo de tornar todo o processo público e fazer “a vergonha mudar de lado”.

Descrevendo-a como uma pioneira para as mulheres, o chefe do Palácio do Eliseu afirmou que sua “dignidade e coragem comoveram e inspiraram a França e o mundo”.

Dominique, um eletricista de 72 anos, foi condenado à pena máxima de 20 anos de prisão por estupro agravado, após confessar que dopou a ex-mulher por quase uma década e, usando salas de bate-papo online, recrutou dezenas de homens para estuprá-la enquanto ela estava inconsciente. Gisèle disse que o julgamento foi uma “provação muito difícil” e seu advogado avaliou que “nenhuma sentença lhe devolverá sua vida”, mas ela afirmou que nunca se arrependeu de mostrar e rosto e ainda acredita num futuro onde mulheres e homens podem “viver em harmonia com respeito e compreensão mútua”.

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Foi sua decisão de renunciar ao anonimato e abrir o julgamento ao público que atraiu a atenção global para as questões de estupro e agressão sexual mulheres.

Um de seus advogados, Antoine Camus, disse à rádio France Info nesta sexta-feira que o julgamento serviria como um “bloco de construção” e que, ao tornar os procedimentos públicos, Gisèle Pelicot abriu a possibilidade de que a sociedade “lidasse com (as questões de estupro) e fizesse as perguntas certas”.

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A presidente da Assembleia Nacional da França, Yael Braun Pivet, disse que Gisèle quebrou um tabu: “O mundo não é mais o mesmo graças a você”. O ex-primeiro-ministro francês Gabriel Attal afirmou esperar que o julgamento cause uma “onda de choque” na educação de todos os meninos, “porque é aqui que começa a luta pela igualdade e pelo respeito”.

O caso

Gisèle só descobriu que era vítima de estupros em 2020, quando Dominique foi preso por importunação sexual contra outras mulheres. À época, a polícia apreendeu um computador usado por ele e encontrou fotos da vítima sendo estuprada por vários homens.

Por causa desses arquivos, num total de 200 mil itens, a polícia identificou cinquenta dos 72 homens que aparecem nas imagens extremamente perturbadoras. Eles também serão levados a julgamento por estupro.

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Segundo as investigações, a vítima foi estuprada pelo menos 92 vezes por 72 homens diferentes. Os investigados têm idades entre 21 e 68 anos.

Apesar disso, a acusação formal da Justiça envolveu apenas 50 réus, além de Dominique Pelicot. Os outros 22 abusadores não foram encontrados ou identificados pelos investigadores. Esses 50 homens – que a imprensa francesa apelidou de “senhor todo mundo” porque representam, em linhas gerais, um microcosmo da sociedade francesa – também foram considerados culpados, mas ainda aguardam suas sentenças.

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Durante o julgamento, Dominique admitiu que dava para Gisèle doses de tranquilizantes sem que ela soubesse. Para isso, ele misturava os medicamentos na comida e na bebida. Depois, em um site de encontros da França, ele convidava outros homens para estuprá-la.

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De acordo com as investigações, o eletricista de 72 anos pedia para que os homens não acordassem a esposa. Ele também orientava os abusadores a evitarem usar perfume ou fumarem, de modo a não deixar cheiros suspeitos. Além disso, os estupradores tiravam a roupa na cozinha, para que as peças não fossem esquecidas no quarto do casal.

O processo judicial apontou ainda que ele participava dos estupros e filmava os crimes, e não pedia dinheiro em troca.

Alguns dos acusados tentaram alegar inocência ao dizer que não sabiam que a vítima estava drogada e que pensavam estar participando de uma fantasia sexual do casal. Mas Dominique disse que todos sabiam que a mulher estava inconsciente, e peritos médicos que viram as filmagens (que também foram mostradas durante o julgamento) avaliaram que era altamente improvável que os estupradores não soubessem o que estava ocorrendo, porque Gisèle parecia “um cadáver”.

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