México anuncia envio de ajuda a Cuba em meio a risco de colapso humanitário
Envio de alimentos ocorre enquanto governo tenta retomar fornecimento de petróleo sem ser afetado por sanções dos EUA
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta sexta-feira, 6, que seu governo vai enviar ajuda humanitária a Cuba. A remessa, que deve ser entregue até a próxima segunda-feira, incluirá alimentos e suprimentos básicos e ocorre em meio ao agravamento da crise energética e humanitária enfrentada pela ilha.
“Estamos planejando enviar essa ajuda ainda neste fim de semana ou, no máximo, até segunda-feira”, afirmou a presidente durante sua coletiva matinal no Palácio Nacional, na Cidade do México.
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Além da assistência emergencial, Sheinbaum disse que o governo mexicano mantém negociações diplomáticas para retomar o fornecimento de petróleo a Cuba, após remessas serem suspensas em meados de janeiro por pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Washington chegou a ameaçar impor tarifas a países que forneçam combustível ao regime cubano, classificado pela Casa Branca como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional americana. Segundo Sheinbaum, o México busca evitar sanções, mas mantém o diálogo aberto. “Evidentemente não queremos sanções contra o México, mas estamos em processo de negociação. Por ora, a ajuda humanitária será enviada”, disse.
Fontes do governo mexicano afirmaram à agência Reuters que autoridades avaliam alternativas para fornecer combustível à ilha sem provocar retaliações comerciais por parte dos Estados Unidos.
O anúncio ocorre em meio a alertas da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a rápida deterioração da situação em Cuba. Na quarta-feira, 4, o secretário-geral da entidade, António Guterres, advertiu para o risco de um “colapso humanitário” caso o país não consiga importar petróleo suficiente para atender às necessidades básicas da população.
Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a escassez de combustível compromete diretamente serviços essenciais, como hospitais, abastecimento de água, transporte público e a distribuição de alimentos. “O secretário-geral está muito preocupado com a situação humanitária em Cuba, que pode se agravar severamente — ou mesmo entrar em colapso — se suas necessidades de petróleo não forem atendidas”, afirmou.
A crise se intensificou nas últimas semanas com o endurecimento da política americana em relação ao regime cubano. Trump voltou a atacar Havana, classificando o país como uma “nação falida”, e afirmou que Cuba deixou de contar com apoio financeiro e energético da Venezuela após a queda de Nicolás Maduro.





