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Na Índia, Putin assina acordos comerciais com Modi e reforça laços apesar de pressão dos EUA

Moscou e Nova Délhi se comprometem com novo programa de cooperação até 2030 apesar de sanções americanas contra a compra de petróleo russo

Por Amanda Péchy 5 dez 2025, 09h17 • Atualizado em 5 dez 2025, 09h25
  • O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em visita à Índia, assinou com o primeiro-ministro Narendra Modi acordos comerciais nesta sexta-feira, 5, para expandir e diversificar os negócios para além do petróleo e do setor de defesa, apesar da pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Nova Délhi encolha os laços estreitos com Moscou.

    Descrevendo a parceria duradoura da Índia com a Rússia como “uma estrela guia”, Modi anunciou que ele e Putin chegaram a um entendimento para ampliar um programa de cooperação econômica até 2030. “Isso tornará nosso comércio e investimento mais diversificados, equilibrados e sustentáveis”, disse ele a repórteres, ao lado do chefe do Kremlin.

    Putin, por sua vez, afirmou que deseja importar mais produtos indianos para aumentar o comércio entre os países para US$ 100 bilhões até 2030. Até o momento, a balança comercial se desequilibra a favor de Moscou, devido às importações de energia de Nova Délhi.

    A Índia, maior compradora mundial de armas e petróleo russo, recebeu Putin com toda a pompa para uma visita de Estado de dois dias, a primeira desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. A viagem coincide com negociações entre Nova Délhi e Washington sobre um acordo para reduzir as tarifas sobre produtos indianos, impostas como retaliação devido à continuada compra de combustível da Rússia pelos indianos.

    Putin disse nesta sexta que continuaria a garantir o “fornecimento ininterrupto de combustível” para a Índia, numa postura desafiadora diante das sanções dos Estados Unidos, e também mencionou um projeto em andamento para construir a maior usina nuclear da Índia em Kudankulam.

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    “Os líderes enfatizaram que, na atual conjuntura geopolítica complexa, tensa e incerta, os laços russo-indianos permanecem resilientes à pressão externa”, afirmou uma declaração conjunta emitida após a cúpula dos líderes.

    Os acordos

    Putin foi recebido calorosamente nesta sexta no pátio do Rashtrapati Bhavan, o palácio presidencial indiano, com uma salva de 21 tiros ao longo da chegada de sua comitiva. Ele estava acompanhado de uma enorme delegação empresarial e governamental.

    Pelos acordos assinados, Moscou se comprometeu a ajudar indianos a se mudarem para a Rússia para trabalhar, a Índia deve estabelecer uma fábrica de fertilizantes em joint venture em território russo. Ambos concordaram com impulsionar a cooperação na agricultura, saúde e transporte marítimo.

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    Os documentos também falam em reformular seus laços no setor de defesa para contribuir com o projeto de Nova Délhi para autonomia por meio de pesquisa e desenvolvimento conjuntos, bem como a criação de plataformas de defesa avançadas. Isso incluiria a produção conjunta na Índia de peças de reposição, componentes, conjuntos e outros produtos para manutenção de armas e equipamentos militares russos.

    Desafio aos EUA

    Em entrevista à emissora India Today, exibida na noite de quinta-feira, Putin desafiou a pressão americana sobre a Índia contra a compra de combustível russo.

    “Se os Estados Unidos têm o direito de comprar nosso combustível (nuclear), por que a Índia não deveria ter o mesmo privilégio?”, disse ele, acrescentando que discutiria o assunto com Trump. Ele acrescentou que o comércio de energia com os indianos está “correndo sem problemas”, apesar de uma pequena queda nos primeiros nove meses de 2025.

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    A Índia declarou que as tarifas impostas por Trump são injustificadas e descabidas, destacando a continuidade do comércio dos próprios Estados Unidos com Moscou. Washington, bem como a União Europeia, ainda importam bilhões de dólares em energia e commodities russas, que vão desde gás natural liquefeito até urânio enriquecido, apesar das sanções econômicas.

    Desde que os países europeus buscaram reduzir sua dependência da energia russa por conta da guerra na Ucrânia, a Índia aumentou suas compras de petróleo bruto russo com desconto, apenas para reduzi-las sob a pressão das tarifas e sanções americanas neste ano.

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