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O papa discreto: Leão XIV é moderno, mas em termos

Diante do avanço da direita mais radical, coube à veneranda e conservadora Igreja Católica assumir, ao menos em parte, o manto das ideias progressistas

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 09h45
  • Reunido, como mandam os estatutos, imediatamente após a comoção mundial causada pela morte do papa Francisco, em abril, o conclave dos bispos da Igreja Católica surpreendeu crentes e descrentes ao eleger para o trono de Pedro um cardeal americano, Robert Prevost. Conhecido como o “pastor de duas pátrias”, tendo dividido a carreira entre Chicago, nos Estados Unidos, e a prelazia de Chiclayo, no Peru, o novo papa Leão XIV é, à primeira vista, o oposto do antecessor, de quem era uma espécie de braço direito. O argentino Francisco era espontâneo, piadista, comunicativo, a simplicidade em pessoa, uma figura de grande simpatia (e muitas contradições), pranteada pelos fiéis ao falecer, logo após a saudação da Páscoa, vítima de colapso cardiovascular, aos 88 anos. O atual pontífice, jovem para os padrões, aos 70 anos, mostra ser calmo, discreto, do tipo que mede as palavras, afeito à liturgia do cargo e (ainda) pouco à vontade em público, sempre com um sorriso meio forçado. Isso na postura — nas posições, Leão XIV, nos primeiros meses de seu papado, demonstrou comungar de muitas das ideias de Francisco, avançadas para uma instituição milenar.

    Pode-se dizer que o papa Leão é moderno, mas em termos: manifestou menor abertura às bençãos aos gays e ao casamento homossexual, por exemplo. Por outro lado, vem ressoando com firmeza as proposições de Francisco na defesa dos mais pobres, na preocupação com as mudanças climáticas e até mesmo no incentivo à maior participação feminina na engrenagem administrativa da Igreja. Ao longo do ano, aproveitou todas as chances que teve para pedir a paz e condenar as guerras — em Gaza, na Ucrânia, em toda parte —, priorizando sempre a diplomacia e a ajuda humanitária. E não poupou críticas veementes ao tratamento dado aos imigrantes no mundo todo, em especial à perseguição deles nos Estados Unidos, uma política que considera “extremamente desrespeitosa”. Sinal dos novos tempos: diante do avanço planetário da direita mais radical, coube à veneranda e conservadora Igreja Católica assumir, ao menos em parte, o manto das ideias progressistas.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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