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O que fez aeroporto nos EUA suspender voos de forma sem precedentes

Medida da Agência Federal de Aviação interrompe fluxo no terminal de El Paso, Texas, por 'razões de segurança'

Por Flávio Monteiro 11 fev 2026, 11h51 • Atualizado em 11 fev 2026, 11h57
  • A Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) suspendeu momentaneamente por dez dias todos os voos no Aeroporto Internacional de El Paso, na fronteira americana com o México, nesta quarta-feira, 11. A medida, considerada sem precedentes por autoridades do governo, foi motivada por “razões de segurança”, deixando milhares de viajantes presos.

    As restrições foram suspensas poucas horas depois, mas pegaram o público de surpresa. À agência de notícias Reuters, um funcionário do governo americano afirmou que drones de cartéis mexicanos violaram o espaço aéreo dos EUA, fazendo com que o Departamento de Defesa tomasse medidas para desativar os drones. Depois da operação, a FAA determinou que não havia ameaça à aviação comercial, normalizando o fluxo aéreo.

    Durante o primeiro aviso, ao anunciar a suspensão de operações, a FAA havia indicado que “nenhum piloto pode operar aeronaves nas áreas cobertas por esse alerta”. O espaço restrito pela agência englobava todo o espaço aéreo sobre El Paso, no oeste do Texas, e a cidade vizinha de Santa Teresa, no estado do Novo México. A medida entrou em vigor às 23h30 de terça-feira, 10, no horário local (aproximadamente 3h30 de quarta no horário de Brasília) e foi suspensa na manhã desta quarta. 

    O bloqueio havia sido confirmado oficialmente pelo aeroporto através das redes sociais, afirmando que todos os voos, “incluindo aviação comercial, de carga e geral” haviam sido suspensos. A restrição pegou passageiros e companhias aéreas de surpresa, fazendo com que muitas aeronaves ficassem presas no local.

    “Os viajantes devem entrar em contato com suas companhias aéreas para obter informações mais atualizadas sobre o status dos voos”, informou o perfil oficial do terminal.

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    No total, a área afetada incluía um raio de 18 km ao redor do aeroporto de El Paso — sem incluir o espaço aéreo mexicano — e não se aplica abaixo de 5.486 metros. Oficialmente, a agência de aviação não deu mais detalhes sobre a natureza das questões de segurança que motivaram o fechamento do aeroporto. 

    De acordo com o aviso da FAA, o espaço aéreo foi classificado como área de defesa nacional, e aeronaves transgressoras podem ser alvo de força letal caso sejam consideradas “uma ameaça iminente a segurança”. Além disso, a agência afirmou que pilotos podem ser “interceptados, detidos e entrevistados” por agentes da lei e seguranças.

    Tensões regionais

    Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters já haviam afirmado que a suspensão dos voos estaria diretamente relacionada ao uso de tecnologia antidrone pelo Departamento de Defesa americano para combater cartéis de drogas mexicanos na fronteira. Em janeiro, o presidente Donald Trump afirmou que o México era controlado pelos cartéis e que Washington poderia atacar alvos terrestres para combatê-los.

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    As tensões entre os EUA e seus vizinhos na América Latina se tornaram mais frequentes desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025. No final do ano passado, o republicano deu início a um cerco militar na Venezuela que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro. À época, a FAA restringiu voos por toda a região do Caribe devido a possíveis riscos de segurança.

    Os receios quase se comprovaram em dezembro, quando uma aeronave de passageiros da JetBlue quase colidiu com um avião-tanque da Força Aérea Americana nas proximidades da Venezuela. Na época, o avião estava partindo de Curaçao, no Caribe, em direção a Nova York, sendo forçado a interromper a subida para desviar do veículo militar, que voava sem transponder ligado, um equipamento padrão de aviação utilizado para identificação da aeronave por radares.

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