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Onda de calor na Europa causou mais de 2 mil mortes em apenas dez dias, diz estudo

Cientistas apontam que o aquecimento global elevou em até 4 °C as temperaturas em certas cidades durante esse período, tornando o clima mais letal

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2025, 15h12

A onda de calor que atingiu a Europa Ocidental no fim de junho causou cerca de 2.300 mortes em 12 cidades, segundo uma análise científica preliminar divulgada nesta quarta-feira, 9. Desse total, aproximadamente 1.500 mortes teriam sido provocadas diretamente pelo aquecimento global, que fez as temperaturas subirem até 4 °C acima do esperado para o período.

Os cientistas do Imperial College London e da London School of Hygiene and Tropical Medicine avaliaram os dez dias mais severos do fenômeno, quando os termômetros ultrapassaram os 40 °C na Espanha e incêndios florestais avançaram pela França. Utilizando modelos epidemiológicos e séries históricas de mortalidade, os pesquisadores calcularam o excesso de mortes atribuíveis ao calor em centros urbanos como Madri, Barcelona, Londres e Milão — locais com maior influência das mudanças climáticas.

“O aquecimento global tornou o clima significativamente mais quente do que seria, o que por sua vez o torna muito mais perigoso”, diz Ben Clarke, pesquisador do Imperial College London.

Os autores do estudo explicam que o número estimado inclui mortes causadas diretamente pela exposição ao calor, assim como casos em que o calor agravou condições médicas pré-existentes (comorbidades). Como a maioria das mortes relacionadas ao calor não é registrada oficialmente, os cientistas recorreram a métodos revisados por pares para obter estimativas rápidas e confiáveis.

Tendência de aquecimento

Esses resultados coincidem com um novo levantamento do observatório europeu Copernicus, que monitora mudanças climáticas. O órgão classificou junho de 2025 como o terceiro mês de junho mais quente da história — atrás apenas de 2023 e 2024. A temperatura global ficou 1,30 °C acima da média pré-industrial (1850–1900), e a média mundial do ar atingiu 16,46 °C. O dado é particularmente alarmante porque, apesar de ter ficado abaixo do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris, o mês ainda mostrou sinais claros da aceleração do aquecimento global.

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“Junho de 2025 foi marcado por uma onda de calor excepcional em partes da Europa Ocidental, com estresse térmico muito forte em várias regiões. E esse fenômeno foi agravado por temperaturas recordes no Mar Mediterrâneo ocidental”, disse em comunicado Samantha Burgess, líder de Estratégia Climática do ECMWF, centro que coordena os dados do Copernicus.

O observatório também chamou atenção para a combinação de extremos registrada nos hemisférios sul e norte. Enquanto Espanha, França e Itália enfrentavam calor acima da média, regiões como Argentina e Chile foram afetadas por um frio fora do comum para a época. Partes da Índia e da Antártica Oriental também tiveram temperaturas abaixo do esperado.

O alerta para os riscos crescentes das ondas de calor não é novo. Um relatório publicado em 2023 por instituições de saúde europeias já havia estimado que, no verão de 2022, o continente registrou até 61 mil mortes atribuídas às altas temperaturas no continente.

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