Polícia israelense invade livraria palestina em Jerusalém Oriental e confisca livros
Donos do estabelecimento são acusados de vender livros que "incitam o terrorismo", incluindo livro infantil de colorir

A polícia israelense invadiu uma renomada livraria em Jerusalém Oriente no domingo, 9, alegando que os livros vendidos no local incitavam a violência. Os donos, Mahmoud Muna e seu sobrinho Ahmad Muna, foram presos por “perturbação da ordem pública” e uma outra filial da livraria também foi alvo de apreensão.
A Educational Bookshop, especializada em livros em árabe e inglês sobre a história de Jerusalém, é um dos maiores centros culturais da cidade, frequentemente visitada por pesquisadores, diplomatas, jornalistas e turistas. Imagens da operação mostram policiais revistando prateleiras, recolhendo livros e espalhando-os pelo chão da loja.
Nesta segunda-feira, a polícia confirmou as prisões e disse que os estabelecimentos vendiam livros que apoiavam o “terrorismo”, incluindo um livro infantil de colorir intitulado “Do Rio ao Mar”, uma frase usada pelos palestinos sobre a região historicamente chamada Palestina, que hoje inclui Israel e os territórios palestinos da Cisjordânia ocupada e a Faixa de Gaza. A mesma frase, no entanto, costuma ser interpretada por israelenses como uma negação do direito de existência de seu país.
As duas unidades da Educational Bookshop ficam em Jerusalém Oriental, área capturada por Israel da Jordânia em 1967 e posteriormente anexada. Israel considera Jerusalém sua capital indivisível, mas a maior parte da população de Jerusalém Oriental é palestina e as Nações Unidas a classificam como um território ocupado.
A invasão ocorreu na presença de Layla, filha de 11 anos de Mahmoud Muna, e gerou reações de palestinos e diplomatas internacionais, que consideraram a ação como uma tentativa de silenciar a expressão cultural palestina.
O embaixador alemão em Israel, Steffen Seibert, expressou solidariedade à família Muna, descrevendo-os como “orgulhosos palestinos de Jerusalém e amantes da paz”. “Eu, como muitos diplomatas, gosto de procurar livros na Educational Bookshop,” escreveu Seibert em sua conta no X.
O grupo de direitos humanos israelense B’Tselem também condenou a operação, alegando que faz parte de um esforço maior de Israel para silenciar as vozes palestinas. “A tentativa de esmagar o povo palestino inclui o assédio e a prisão de intelectuais”, afirmou o grupo.
Nesta segunda-feira, 10, a principal filial da livraria continuava fechada, enquanto manifestantes se reuniam em frente ao tribunal, onde ocorria a audiência sobre o pedido da polícia para estender a detenção de Mahmoud e Ahmad Muna por mais oito dias.