Quase 40% dos contratos rescindidos por Trump não gerarão economia para governo dos EUA
Corte de gastos é uma das justificativas usadas pelo presidente americano para cerco contra agências federais desde retorno à Casa Branca

Quase 40% dos contratos federais cancelados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não cortarão gastos do governo, mostram dados do Departamento de Eficiência Governamental (Doge), liderado pelo magnata Elon Musk, nesta segunda-feira, 24. Um terço das 2.300 rescisões registradas nas últimas semanas não gerarão qualquer economia – uma das justificativas usadas pelo republicano para o cerco contra agências federais desde o retorno à Casa Branca, em 20 de janeiro.
O motivo está no fato de que, na maioria dos casos, o contrato já foi liquidado. Com isso, o governo dos EUA tem a obrigação legal de gastar os fundos no que havia se comprometido. Em diferentes situações, a Casa Branca já havia despendido o valor. Alguns dos contratos cancelados eram para estudos de pesquisa e treinamentos realizados, softwares comprados e estagiários, segundo a agência de notícias Associated Press. Assinaturas de portais de notícias, incluindo a AP e o europeu Politico, também estavam entre os custos.
“É como confiscar munição usada depois que ela foi disparada, quando não há mais nada nela. Não cumpre nenhum objetivo político”, disse Charles Tiefer, especialista em lei de contratos governamentais, à Associated Press. “A rescisão de tantos contratos sem sentido obviamente não cumpre nada para economizar dinheiro.”
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Musk avança
Em contrapartida, o Doge alega que cerca de economizará US$ 65 bilhões em cortes de funcionários e venda de ativos. Trata-se de um novo capítulo do plano do presidente americano de desinchar a máquina estatal ao demitir funcionários de suposta baixa produtividade e, por consequência, reduzir os gastos do governo. Mas, até a última semana, o mais audacioso plano de Musk, apelidado de “Fork in the Road” (expressão que pode ser traduzida como “encruzilhada”), havia sido adiado por uma batalha judicial com sindicatos.
O programa propõe uma demissão voluntária a funcionários federais, permitindo que recebam seus salários e benefícios até 30 de setembro, sem precisar trabalhar presencialmente ou com os cargos eliminados ao longo do tempo. Após sindicatos entrarem com uma ação judicial, a proposta foi travada antes do prazo final de adesão, 6 de fevereiro. Mas um juiz distrital dos EUA em Boston, George O’Toole Jr, decidiu nesta quarta-feira 12 que as ofertas podem continuar, sob o argumento de que os sindicatos não tinham legitimidade legal para contestá-las.