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Raúl Castro confirma renúncia ao comando do Partido Comunista de Cuba

Saída marca ampla mudança de geração na cúpula da legenda, com aposentadoria de nomes fortes e ascensão de lideranças nascidas após Revolução de 1959

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 abr 2021, 18h02 • Atualizado em 16 abr 2021, 18h06
  • Três anos depois de sua saída da Presidência, Raúl Castro confirmou que irá entregar o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC) ao presidente, Miguel Díaz-Canel, durante o 8º Congresso do partido, que acontece a partir desta sexta-feira, 16, e vai até segunda-feira 19. Embora a saída do comando tenha um significado majoritariamente simbólico, marca uma ampla mudança de geração na cúpula da legenda, com a aposentadoria de nomes fortes e a ascensão de lideranças nascidas após a Revolução de 1959.

    Na abertura do evento, em Havana, o líder de 89 anos disse que passará o posto a uma geração mais jovem, “repleta de paixão e de espírito anti-imperialista”. Segundo ele, apesar da saída, seguirá como “militante de base do Partido Comunista” até sua morte.

    “Quanto a mim, minha missão como primeiro-secretário do comitê central do Partido Comunista de Cuba termina com a satisfação de dever cumprido e com confiança no futuro do país”, disse em discurso transmitido pela TV, segundo a agência Associated Press.

    Raúl assumiu o comando do país em 2008, quando seu irmão Fidel Castro renunciou depois de 49 anos no poder. Em 2018, Raúl se afastou do comando de Cuba, dando espaço a Díaz-Canel, e se tornou primeiro-secretário do Partido Comunista.

    Junto a ele, grandes nomes da geração histórica de 1959 também devem se aposentar, entre eles o número dois do Partido, José Ramón Machado Ventura, de 90 anos, e o comandante Ramiro Valdés, de 88.

    Desenvolvimento econômico

    Durante discurso, o primeiro-secretário indicou que reativar a economia e tornar eficientes as empresas estatais são questões estratégias para responder à grave crise econômica, somada à pandemia de Covid-19. O Congresso, indicou, avançará para “conceitualização e atualização do modelo”, o que obrigatoriamente deve passar por uma economia com cada vez mais participação de agentes não estatais.

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    O país já vinha, desde 2010, em um processo gradual de abertura à iniciativa privada, durante o mandato de Raúl. O Partido Comunista apoiou as reformas, mas a lentidão foi atribuída à permanência de alguns líderes da “geração histórica”, mais ortodoxa. Atualmente, cerca de 600 mil cubanos trabalham no setor privado, o que corresponde a 13% da população economicamente ativa no país. 

    Segundo Raúl, o  “desenvolvimento da economia nacional” é, hoje, junto com “a luta pela paz e firmeza ideológica”, uma das “principais missões” da legenda. As declarações foram transmitidas pela emissora de rádio estatal Radio Reloj, já que o encontro partidário é realizado a portas fechadas, sem permissão de cobertura da imprensa estrangeira e sem transmissão ao vivo pela televisão.

    No discurso, o ex-presidente também defendeu “o aumento da produção nacional, especialmente de alimentos, e o banimento do hábito nocivo da importação”.

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    “O país deve se acostumar a viver com o que temos e não exigir mais do que somos capazes de gerar, desde que as demandas não satisfeitas da população representem um incentivo para os produtores nacionais”, afirmou.

    Devido a bloqueios comerciais, o país vive uma grave escassez de praticamente todos os alimentos, bens básicos e medicamentos, resultando em longas filas em todo o país para comprar qualquer produto. O Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 11% em 2020.

    Nesta sexta-feira, o chefe partidário alegou que a política americana prejudica as relações econômicas de Cuba com praticamente todas as nações do planeta, falou que Cuba é alvo de uma “verdadeira caça” e criticou Washington por “sabotar o sistema empresarial, quebrar a gestão do Estado e promover o caos, estrangular o país e provocar uma explosão social”.

    Em Cuba, esperava-se que a chegada do democrata Joe Biden à Casa Branca, em janeiro, atenuasse as tensões bilaterais vividas com Trump e trouxesse uma nova aproximação. No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, ao ser questionada nesta sexta-feira sobre o congresso do Partido Comunista, reiterou que a mudança de política em relação a Havana não é uma prioridade para a política externa do presidente americano. 

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