Rivais de Netanyahu admitem derrota em eleições
Legenda centrista Kahol Lavan empatou com partido de premiê, mas Bibi deve ser reeleito com apoio de bloco da direita
Os principais rivais de Benjamin Netanyahu nas eleições desta terça-feira 9 em Israel, os líderes do partido Kahol Lavan, admitiram sua derrota nesta quarta-feira, 10, abrindo ainda mais caminho para a reeleição do atual primeiro-ministro.
Benjamin Gantz, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, e o segundo nome mais importante do partido, o ex-ministro das Finanças Yair Lapid, admitiram que perderam “nesse round”. Em um discurso na sede da legenda em Tel Aviv, contudo, os dois falaram em preparações para as eleições do próximo ano, em referência a um possível impeachment de Netanyahu.
O primeiro-ministro está envolvido em acusações de corrupção, fraude e quebra de confiança que podem ter consequências no futuro de seu governo.
“Não vencemos neste round. Vamos tornar a vida do Likud um inferno na oposição”, disse Lapid, citando o partido de Netanyahu.
Bibi, como o premiê é conhecido, está muito próximo de conquistar um quinto mandato. Com 98% dos votos apurados após as eleições gerais, o Likud terminou empatado com o Kahol Lavan, cada um com 35 cadeiras no Knesset.
O crescimento de partidos religiosos de direita, contudo, certamente deve garantir uma maioria parlamentar para Netanyahu.
O bloco de partidos ultra-ortodoxos deve terminar as eleições com 16 assentos e os partidos Yisrael Beitenu e Ihud Miflagot HaYamin, da direita, com 5 assentos cada. O Kulanu, uma legenda de centro criada por políticos que se desligaram do Likud, tem 4 lugares.
As legendas são as que constituem a atual coalizão que apoia Netanyahu como primeiro-ministro. Com esse bloco bem consolidado, o premiê está muito perto de conseguir formar um governo de 65 cadeiras.
A coalizão ligada ao Kahol Lavan obteve ao menos 45 assentos no Knesset, segundo os resultados preliminares. Entre os partidos que apoiariam Gantz em um possível governo estão o trabalhista Labor, que conquistou 6 lugares, o esquerdista Meretz, que aparece com 4 assentos.
As coligações árabes Hadash-Ta’al e Ra’am – Balad conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira e entrar no Parlamento, segundo as previsões. O primeiro partido tem 6 assentos e o segundo 4.
Reconhecimento da vitória
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, felicitou o primeiro-ministro por “ter vencido” as eleições gerais na nação judaica e disse que a vitória gera uma possibilidade de negociação de paz com os palestinos.
“O fato de Netanyahu ter vencido nos permitirá ver uma ação bastante boa em termos da paz”, disse Trump aos jornalistas na Casa Branca.
“Todo mundo disse e eu nunca prometi, mas todo mundo disse que não é possível conseguir a paz no Oriente Médio entre Israel e os palestinos. Eu acredito que temos uma oportunidade. E acredito que temos uma oportunidade melhor agora que Netanyahu ganhou”, acrescentou o presidente americano.
O genro e assessor de Trump, Jared Kushner, que prepara há quase dois anos um plano de paz entre israelenses e palestinos, e a Casa Branca anteciparam em março que planejavam publicá-lo “provavelmente depois das eleições” gerais em Israel.
Espera-se que o plano de Kushner aborde os temas mais espinhosos no conflito, entre eles o estabelecimento de fronteiras, mas seu futuro é incerto, porque os palestinos se negaram a negociar com os Estados Unidos depois do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel em 2017.