Sob explosões, missão de paz africana visita capital da Ucrânia
Delegação quer mediar o conflito com uma série de 'medidas de confiança', como retirada de soldados russos e alívio das sanções ocidentais contra Putin

Uma missão de paz, incluindo líderes da África do Sul, Senegal, Zâmbia, Comores e Egito, chegou a Kiev, capital da Ucrânia, nesta sexta-feira, 16, na esperança de iniciar uma mediação do conflito com a Rússia. Os diplomatas foram recebidos com ao menos duas explosões e sirenes de alerta para ataque aéreo.
A delegação disse que os ataques não mudaram seus planos para reunir-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ainda nesta sexta-feira. No sábado, 17, o grupo segue para São Petersburgo para conversar com o presidente russo, Vladimir Putin.
Depois que os líderes africanos chegaram a Kiev, o comboio de carros que os transportava foi visto entrando em um hotel para usar seu abrigo antiaéreo, segundo a agência de notícias Reuters. A Presidência sul-africana disse, pelo Twitter, que a missão estava “correndo bem e conforme planejado”.
https://twitter.com/PresidencyZA/status/1669634022023069696
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De acordo com a Ucrânia, sua Força Aérea derrubou seis mísseis balísticos “Kinzhal”, seis mísseis de cruzeiro e dois drones nesta sexta-feira. Por enquanto, não houve registro de mortes ou danos graves, mas a polícia da capital disse que os ataques fizeram um número ainda indeterminado de vítimas.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, escreveu no Twitter que este foi o “maior ataque com mísseis a Kiev em semanas” e criticou Putin por mirar a cidade enquanto a comitiva de paz está no local.
“Os mísseis russos são uma mensagem para a África: a Rússia quer mais guerra, não paz”, disse Kuleba.
https://twitter.com/DmytroKuleba/status/1669630367882461184
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A delegação africana começou a viagem visitando Bucha, uma cidade próxima a Kiev onde a Ucrânia diz que soldados russos realizaram execuções, estupros e torturas. Lá, investigadores internacionais coletam evidências de crimes de guerra. A Rússia nega todas as acusações.
De acordo com um documento visto por algumas agências de notícias, a missão de paz, que inclui o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e o senegalês, Macky Sall, quer propor uma série de “medidas de construção de confiança” no início da mediação. O objetivo da iniciativa é promover a paz e encorajar a Rússia e a Ucrânia “a concordar com um processo liderado pela diplomacia”.
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As medidas de “construção de confiança” podem incluir uma retirada dos soldados russos, a remoção de armas nucleares táticas russas de Belarus, a suspensão do mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Putin e o alívio das sanções ocidentais impostas à Rússia.
Kiev defende que sua própria iniciativa de paz, que prevê a retirada de todos os soldados russos de território ucraniano, deve ser a base para qualquer solução para a guerra.