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Trad: ‘Ninguém concorda com interferência de um país em outro usando a força’

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado diz que colegiado vê com preocupação a 'precedência' que operação americana na Venezuela pode gerar

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jan 2026, 16h07 • Atualizado em 5 jan 2026, 18h21
  • Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado brasileiro, afirmou que o colegiado acompanha com “preocupação” os desdobramentos da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo americano.

    Em audiência nesta segunda-feira, 5, em Nova York, Maduro se declarou inocente das acusações de envolvimento com o narcoterrorismo imputadas a ele por Washington e que motivaram sua captura em Caracas, no último sábado, 3.

    “O que nos causa alerta e preocupação é a precedência que uma manobra como essa acaba por gerar”, disse Trad em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA.

    “Ninguém em sã consciência concorda com a interferência de um país diante do outro usando a força. O Direito Internacional não tem nenhum capítulo que fale nesse sentido e a gente espera que isso possa servir de lição para que outros países não venham a seguir esse caminho”, prosseguiu.

    No sábado, a Comissão de Relações Exteriores do Senado divulgou uma nota na qual defendeu a convocação imediata de reuniões extraordinárias do colegiado durante o recesso parlamentar, se necessário.

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    “Todos nós fomos pegos de surpresa, apesar de os alertas terem sido dados e dos avisos reiteradamente colocados pelo governo americano junto ao governo da Venezuela, inclusive uma tratativa de um eventual acordo aventado até pelo presidente Maduro”, disse o senador ao Ponto de Vista.

    O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado também assinalou os “malfeitos” cometidos pelo regime chavista e que não podem ser ignorados, entre eles as perseguições políticas, a censura à imprensa, os indícios de fraudes na última eleição e o êxodo de venezuelanos do país.

    Polarização e eleições

    Na esteira da operação americana na Venezuela, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram o posicionamento do governo Trump.

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    O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi às redes para afirmar que “Defender a soberania de um país é muito diferente de defender a supremacia dos interesses de um regime autoritário” e para pregar que este seja “o início de uma nova era para o povo venezuelano e para toda a América Latina”.

    Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi categórico ao classificar Maduro como “ditador cruel” e apontar que o venezuelano teve a “conivência, a omissão e até o apoio” de figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda ventilado como potencial candidato ao Planalto, Tarcísio disse ainda que a Venezuela está vencendo a esquerda e que “o Brasil, no final do ano, também vai vencer”.

    Questionado sobre o impacto que a crise na Venezuela poderá ter nas eleições brasileiras deste ano, o senador Nelsinho Trad afirmou que o tema servirá para aumentar a polarização já existente no país.

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    “Todas as manchetes, todos os casos que aparecem recentemente na história política do Brasil servem para polarizar. Essa polarização existe, ela está latente. Um nutre o outro. Ficam só esses dois nomes sendo retroalimentados: Bolsonaro e Lula”, declarou.

    Assista à íntegra do programa:

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