Tribunal do Egito condena à morte 17 por ataques a igrejas cristãs
Anistia Internacional adverte que julgamento foi 'injusto' e que a pena da morte não dissuadirá futuros ataques
Um tribunal militar do Egito sentenciou 17 pessoas a morte nesta quinta-feira (11) por envolvimento em ataques a bombas contra três igrejas cristãs coptas e a um posto de controle policial, em 2016 e 2017. Nos atentados, mais de 80 pessoas foram mortas, relatou a agência de notícias estatal Mena.
Dezenove outros réus receberam sentenças de prisão perpétua pelos ataques que atingiram igrejas no Cairo, na cidade mediterrânea de Alexandria e na cidade de Tanta, no delta do rio Nilo.
Os réus podem recorrer das sentenças.
A minoria cristã copta do Egito, que representa cerca de 10 por cento da população, tem sido um alvo frequente de ataques e de perseguição desde o levante que derrubou o então presidente Hosni Mubarak, em 2011.
Militantes do Estado Islâmico reivindicaram a responsabilidade pelos ataques suicidas em Alexandria e Tanta, ambos ocorridos no Domingo de Ramos de 2017. Os dois ataques deixaram um total de 45 mortos.
O grupo também reivindicou a responsabilidade por um ataque, em dezembro de 2016, que deixou 28 mortos, a uma capela adjacente à catedral de São Marcos, no Cairo. A catedral é a sede do papa copta Teodoro II, e sua segurança normalmente é reforçada.
Eles se queixam de discriminação e são vítimas de ataques regulares de extremistas. Desde o final de 2016, os ataques da EI deixaram mais de cem vítimas cristãs.
A agência Mena informou que alguns dos réus também são suspeitos de terem realizado um ataque contra um posto de controle no deserto ocidental do Egito, que matou ao menos oito policiais no ano passado.
Pouco depois do anúncio do veredicto, a Anistia Internacional, que regularmente denuncia a repressão exercida pelas autoridades do Egito, reagiu em um comunicado contra punição dos responsáveis com a pena capital.
“Não há justificativa para os ataques contra as igrejas coptas, mas pronunciar uma pena de morte coletiva após um julgamento militar injusto não dissuadirá (os autores) de futuros ataques”, afirma a organização.
(Com Reuters e AFP)