Trump classifica Maduro como um ‘cara violento’ e reclama das ‘dancinhas’ do ditador
Presidente americano parabeniza Exército dos EUA pela operação bem sucedida em Caracas em evento do Partido Republicano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o ditador venezuelano deposto, Nicolás Maduro, de “um cara violento” em um discurso nesta terça-feira, 6. “Ele vai lá em cima e tenta imitar um pouco da minha dança… Mas ele é um cara violento e matou milhões de pessoas”, declarou o republicano.
Trump discursou nesta terça-feira em um evento no Kennedy Center, em Washington, durante um evento do Partido Republicano. No mês passado, a pedido do presidente, o centro cultural teve seu nome mudado para Trump-Kennedy Center.
Antes de sua captura e detenção no sábado 3, Maduro vinha usando aparições públicas para dançar e cantar para a plateia. Os movimentos, no entanto, não têm semelhança com os trejeitos do líder americano. O presidente dos Estados Unidos costuma usar a música “YMCA”, da banda Village People, para encerrar os discursos e dança ao som dela.
Segundo uma reportagem do jornal americano The New York Times, as performances de Maduro foram decisivas para que Trump antecipasse a captura do ditador em Caracas. A reportagem, que ouviu fontes próximas à Casa Branca, informou que o chavista estaria debochando da crise entre os dois países.
Além de comentar as atitudes do venezuelano, Trump também elogiou a operação feita na capital venezuelana pelo Exército americano. “Foi brilhante, taticamente”, declarou. Ele falou, ainda, dos protestos da extrema esquerda em apoio a Maduro e afirmou que “pessoas são pagas” para estar nessas manifestações.
As acusações contra Maduro
Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e líder do Tren de Aragua.
Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, o papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime na Venezuela.
“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.
O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrorismo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.






