Estados Unidos atacam a Venezuela, e Trump afirma que Maduro foi capturado
Explosões foram registradas pelo país. Presidente americano classificou operação como 'brilhante'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o país realizou ataques “de grande escala” à Venezuela neste sábado, 3, e afirmou que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa “foram capturados”. Segundo o americano, Maduro está sendo levado em um navio de guerra a Nova York.
“Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, junto com sua esposa, foi capturado e retirado do país por via aérea”, escreveu Trump na rede Truth Social. “Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de segurança dos Estados Unidos. Mais detalhes serão divulgados em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago. Obrigado pela atenção a este assunto!”
Em uma curta entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que a operação foi “brilhante”: “Planejamento bem-feito e tropas e pessoas excelentes, excelentes”, disse Trump. “Foi uma operação brilhante, na verdade.”
Questionado pela reportagem se ele havia buscado autorização do Congresso para a operação e qual seria o próximo passo, Trump disse que trataria desses assuntos durante a coletiva de imprensa em Mar-a-Lago.
A secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que Maduro “em breve enfrentará a força total da Justiça americana, em solo americano e em tribunal americano”. Em publicação nas redes sociais, Bondi citou a acusação contra Maduro, indiciado pelo Distrito Sul de Nova York em 2020 por crimes de “Conspiração para o Narcoterrorismo, Conspiração para Importação de Cocaína, Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos e Conspiração para Possuir Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos contra os Estados Unidos”.

Fogo no Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela. Os Estados Unidos confirmaram neste sábado, 3, que realizou ataques ao paísDurante a madrugada, explosões foram ouvidas na Venezuela, incluindo em sua capital, Caracas. O regime Maduro decretou estado de emergência, acusou os Estados Unidos de “agressão militar” e responsabilizou o governo Trump pelos ataques.
Em comunicado, o governo da Venezuela instou os cidadãos a se levantarem contra o ataque e afirmou que Washington corre o risco de afundar a América Latina no caos com um ato “extremamente grave” de “agressão militar”. “Todo o país deve se mobilizar para derrotar essa agressão imperialista”, disse o regime. O governo venezuelano confirmou ataques em Caracas e nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que Caracas não sabe o paradeiro de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Em pronunciamento à rede pública VTV, Rodríguez exigiu “prova de vida imediata do governo do presidente Donald Trump sobre as vidas do presidente Maduro e da primeira-dama”.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que ataques dos Estados Unidos atingiram áreas urbanas em todo o país com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de combate e insistiu que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras em território venezuelano.
O que foi atingido
A produção e o refino de petróleo da estatal venezuelana PDVSA seguiam normais neste sábado, 3, sem danos de ataques dos Estados Unidos, de acordo com avaliações iniciais dadas por fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters.
Pouco antes das 2h da manhã, horário local, as primeiras explosões foram ouvidas sobre Caracas, juntamente com o som de aeronaves sobrevoando a capital, segundo relatos do New York Times. Bombardeios aéreos foram relatados em Fuerte Tiuna, a principal base militar de Caracas, localizada ao sul da cidade, que ficou completamente sem energia. Ataques também ocorreram no Quartel de la Montaña e na Base Aérea de La Carlota.
Repercussão internacional
Nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à operação dos EUA e afirmou que as ações ultrapassam “linha inaceitável”, representando uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. A fronteira do Brasil com a Venezuela foi fechada do lado venezuelano após os ataques.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, um dos principais aliados do regime Maduro, exigiu “esclarecimentos imediatos” sobre as circunstâncias da relatada captura de Nicolás Maduro. Em nota, a Chancelaria russa disse estar “extremamente alarmada por relatos de que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa foram removidos à força do país”.
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse que conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o embaixador da UE em Caracas. “A União Europeia afirmou repetidamente que [Nicolás] Maduro não tem legitimidade e defendeu uma transição pacífica”, escreveu na rede social X. Ela ainda fez um apelo para que os princípios do direito internacional e da Carta da Organização das Nações Unidas (ONJ) sejam respeitados durante o conflito.
O presidente da Argentina, Javier Milei, que é alinhado ao trumpismo, publicou uma mensagem curta com seu slogan de campanha: “A liberdade avança. Viva a liberdade, caralh*”. Ele não fez nenhuma menção ao primeiro conflito em muitos anos na América Latina.
Escalada de tensão
A tensão entre EUA e Venezuela vinha crescendo nas últimas semanas. Na sexta-feira, 26, Trump havia confirmado que os Estados Unidos tinham feito um ataque na Venezuela “na área do cais onde carregam os barcos com drogas”. Foi a primeira investida em solo dos EUA contra o país e, segundo o jornal americano The New York Times, foi conduzida pela CIA, a agência de inteligência americana.
No final de outubro, Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que Washington queria derrubar Nicolás Maduro.
As forças americanas realizaram sucessivos ataques a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, deixando mais de 80 mortos. O governo americano justificou as investidas afirmando que os barcos levavam drogas.
Nesta quinta-feira, 1º, Maduro, disse em entrevista que estava disposto a negociar um acordo com os Estados Unidos para o combate do narcotráfico, mas voltou a afirmar que o plano dos EUA seria forçar uma mudança de poder em Caracas para ter acesso a recursos naturais venezuelanos, como o petróleo.





