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Trump desafia adversário democrata Biden a teste cognitivo

Presidente americano afirmou que ex-vice-presidente não tem a 'resistência física' e mental necessárias para liderar o país

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2020, 12h04 • Atualizado em 23 jul 2020, 12h27
  • Se gabando de seus resultados em um teste cognitivo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desafiou seu adversário na eleição presidencial, o democrata Joe Biden, a passar por uma avaliação similar. Classificando líderes como o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin como “fortes”, Trump insinuou que Biden não teria a “resistência física” e mental necessárias para o cargo de presidente.

    Esta é a segunda vez em menos de uma semana que Trump fala sobre a avaliação. No final de semana, em entrevista ao programa Fox News Sunday, o republicano disse ter pedido a seu médico pessoal para fazer o teste. Já na quarta-feira 22, também em entrevista à Fox News, o presidente deu mais detalhes sobre o processo de avaliação.

    Trump relatou que o teste incluía, entre outros, “uma pergunta sobre memória”, na qual era necessário repetir as palavras “pessoa”, “mulher”, “homem”, “câmera” e “televisão”.

    “Eles disseram: ‘Você pode repetir isso?’ Então eu disse: ‘Sim, pessoa, mulher, homem, câmera, televisão’ ‘”, contou. “Então, 10 minutos, 15, ou 20 minutos depois, eles lhe dizem: ‘Você se lembra da primeira pergunta? Repita novamente”. 

    Em resposta à entrevista de domingo, o ex-vice-presidente Biden disse estar pronto para testar suas habilidades cognitivas contra Trump em um debate entre os dois. 

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    Atrás do adversário democrata por 15 pontos percentuais entre eleitores registrados, segundo a pesquisa mais recente da ABC News/The Washington Post, Trump tenta há semanas mudar sua estratégia. As tentativas de atacar Biden, de 77 anos, por sua idade, acabam tendo impacto apenas entre seus apoiadores, à medida que Trump, de 74 anos, não é muito mais jovem.

    Em outra pesquisa entre eleitores registrados, realizadas pela Reuters/Ipsos em 14 e 15 de julho, Biden apareceu um pouco mais atrás, mas ainda com 10 pontos percentuais de vantagem sobre Trump.

    Além de tentar mostrar Biden como “fraco” e “velho”, o republicano também dobrou os gastos com sua campanha em junho, desembolsando mais de 50 milhões de dólares. Na semana passada, a menos de quatro meses da eleição, ele também decidiu substituir seu gerente de campanha, Brad Parscale, que atuava desde fevereiro de 2018.

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    Na quarta-feira, Biden, vice-presidente durante o governo de Barack Obama, primeiro presidente negro da história dos EUA, tentou rotular Trump como “o primeiro racista a se tornar presidente” no país. Ele criticou a forma como o presidente “lida com pessoas com base na cor de suas peles, suas origens e de onde são”. 

    “Nenhum presidente americano nunca fez isso (…) Nenhum presidente republicano fez isso. Nenhum presidente democrata. Tivemos racistas, e eles existiram, e eles tentaram se eleger presidentes. Ele é o primeiro que conseguiu”. 

    Em resposta, a assessora sênior da campanha de Trump, Katrina Pierson, disse que os comentários de Biden são “um insulto à inteligência de eleitores negros” e que Trump “ama todas as pessoas” e “trabalha duro para empoderar todos os americanos”. 

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    Diversos presidentes americanos tiveram escravos ou apoiaram políticas como a repressão de povos nativos e a segregação dos negros. No mês passado, a Universidade Princeton, uma das mais prestigiosas do país, anunciou a retirada do nome do ex-presidente Woodrow Wilson de sua escola de políticas públicas, citando pensamentos e políticas racistas adotadas pelo ex-governante. 

    (Com AFP)

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