Vídeo: Kim Jong-un se emociona em tributo a soldados norte-coreanos mortos na Ucrânia
Estima-se que Pyongyang tenha enviado ao menos 15 mil militares à região russa de Kursk, que foi alvo de uma incursão ucraniana em março

Imagens do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, emocionado em frente a caixões de soldados norte-coreanos que foram mortos na guerra na Ucrânia foram exibidas neste domingo, 29, durante um evento que marcou o aniversário de um ano de um pacto militar entre Pyongyang e Moscou. Trata-se de uma rara homenagem de Kim aos militares enviados para lutar pelo lado russo no conflito.
Fotos de Kim com as mãos em cima dos caixões, que estavam cobertos com bandeiras da Coreia do Norte, ocuparam um enorme telão da festa de gala. Elas foram acompanhadas por legendas como “Oh, nossos heróis, estrelas brilhantes da minha pátria” e “Aqueles que deram suas vidas sem hesitação para defender a honra brilham como estrelas radiantes”.
Não se sabe quando a repatriação dos corpos ocorreu, mas o líder norte-coreano aparecia com roupas de frio, o que sugere que podem ter sido tiradas há meses. Estima-se que Pyongyang tenha enviado ao menos 15 mil soldados ao campo de batalha na região russa de Kursk, que foi alvo de uma incursão surpresa da Ucrânia em março.
Outra imagem mostrou um suposto caderno de um dos soldados, que dizia: “O momento decisivo finalmente chegou” e “Vamos lutar bravamente esta batalha sagrada com o amor e a confiança ilimitados que nos foram concedidos por nosso amado Comandante Supremo”, de acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap.
No auditório do East Pyongyang Grand Theatre, convidados da Rússia e da Coreia do Norte choraram durante a homenagem. Kim estava acompanhado da sua filha Kim Ju Ae, considera a sucessora do regime, e da ministra da Cultura russa, Olga Lyubimova. Além do tributo, o evento contou apresentações de artistas de Moscou e de Pyongyang.
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Pacto com a Rússia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Kim Jong-un assinaram um pacto abrangente entre os dois países em 19 de julho do ano passado, durante visita do russo a Pyongyang. Após anúncios conjuntos contendo críticas aos Estados Unidos e seus aliados, Kim descreveu o acordo como “pacífico e defensivo”. Já Putin disse que o texto prevê “a prestação de assistência mútua em caso de agressão” de terceiros.
“O acordo de parceria abrangente assinado hoje prevê, entre outras coisas, assistência mútua em caso de agressão contra uma das partes deste acordo”, disse Putin, que faz a sua primeira visita à Coreia do Norte em 24 anos.
O site do Kremlin indica que o acordo também inclui “cooperação na área da saúde, educação médica e ciência”. Putin disse que a Coreia do Norte tem o direito de se defender e que “a Federação Russa não exclui a cooperação técnico-militar com a República Popular Democrática da Coreia (nome oficial do país), de acordo com o documento hoje assinado”.
Em coletiva de imprensa após as negociações, Putin afirmou que a dupla discutiu muito os assuntos internacional e a agenda global, e que Moscou e Pyongyang permanecem uma frente unida contra os regimes de sanções de outros países. Segundo ele, os bloqueios econômicos que ambas as nações sofrem – a Coreia do Norte por investir em armas nucleares e a Rússia devido à guerra na Ucrânia – seriam “politicamente motivados”.
Kim descreveu Putin como “o amigo mais querido do povo coreano” e disse que está “ao lado dos camaradas russos – os nossos mais honestos amigos e camaradas”.