Vítimas da verdade: os repórteres mortos em Gaza
Jornalistas de agências como AP e Reuters buscavam reconstituir o ataque das Forças de Defesa de Israel ao Hospital Nasser, em Khan Yunis
Desde que a guerra entre Israel e o Hamas eclodiu na Faixa de Gaza, depois dos ataques do grupo terrorista palestino, em 7 de outubro de 2023, os dois lados da trincheira têm travado uma batalha paralela pela opinião pública. Cabe ao jornalismo profissional a busca de informações não oficiais que impeçam a desinformação, porque a verdade, como ensina a antiga máxima, é sempre a primeira vítima de todo conflito armado. Na segunda-feira 25, cinco repórteres de agências como AP e Reuters foram mortos enquanto buscavam reconstituir o ataque das Forças de Defesa de Israel ao Hospital Nasser, em Khan Yunis, um dos últimos centros médicos ativos do enclave. Mobilizados depois do disparo de um primeiro foguete, o quinteto foi alvo de uma segunda explosão, em uma tática conhecida como double tap, proibida pelo direito internacional. No total, vinte pessoas morreram. Líderes internacionais condenaram o episódio, incluindo Donald Trump, principal avalista da tática de Tel Aviv de tomar 100% do território inimigo. Em carta, mais de 200 ex-embaixadores da União Europeia repudiaram as “ações ilegais”. A diplomacia brasileira engrossou o coro, afirmando que os bombardeios podem configurar “crimes de guerra”. E mais: não respondeu à indicação do nome apontado por Israel para dirigir a embaixada em Brasília, em retaliação à forma como o governo de Benjamin Netanyahu tratou o representante brasileiro, Frederico Meyer, no ano passado. Não há trégua em nenhuma das frentes.
Publicado em VEJA de 29 de agosto de 2025, edição nº 2959






