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Elmano de Freitas: ‘O PT precisa deixar de falar apenas para a bolha’

Governador petista do Ceará afirma que a gestão Lula precisa dialogar com toda a sociedade e defende aliança da esquerda à centro-direita para 2026

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 21 mar 2025, 13h03 - Publicado em 21 mar 2025, 06h00

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), chegou ao comando do estado em 2022 com uma vitória no primeiro turno, construída em uma arrancada que teve a participação decisiva de seu padrinho e antecessor, Camilo Santana, e do presidente Lula, que sempre viu o estado como uma de suas prioridades. Ex-secretário de Educação de Fortaleza e deputado estadual por dois mandatos, Elmano sacramentou a hegemonia local do PT tecendo alianças da esquerda à centro-direita e se impondo sobre o grupo político do ex-aliado Ciro Gomes. Foi também um dos responsáveis pela única vitória petista em capitais em 2024, com o triunfo de Evandro Leitão em Fortaleza. Sob a gestão do governador, o estado tem apresentado bons índices na economia e na educação, mas tem sido desafiado pelas fragilidades na área social e, principalmente, pela escalada do crime organizado. A VEJA, ele falou sobre as iniciativas para melhorar a área da segurança, disse que o Brasil ainda estará polarizado em 2026 e avalia que Lula pode reverter a queda de popularidade no país e no Nordeste. Mas fez um alerta: “O PT precisa deixar de falar apenas para a bolha”.

O senhor construiu uma coalizão ampla em torno de seu governo, com PSB, PP, Republicanos, MDB, PSD e outras legendas. Isso será possível na disputa eleitoral de 2026, inclusive em nível nacional? Queremos que esse arco de alianças possa se manter. Temos a leitura de que a disputa da sociedade brasileira não é de um partido da centro-esquerda contra um partido da esquerda. A disputa é de um campo democrático contra uma força com forte viés fascista e ditatorial, que é o bolsonarismo. Veja as investigações sobre um plano de tirar a vida do vice-presidente e do presidente da República, de golpe, de prisão, de morte de um ministro da Suprema Corte. Isso demonstra que tipo de força política nós estamos enfrentando. Portanto, o PT precisa ter muita clareza de deixar de falar apenas para a sua bolha e falar para a sociedade como um todo. O projeto de transformação do Brasil ocorre com esse conjunto de forças mais amplo.

O governo Lula precisa caminhar mais para o centro político então? O Centrão, por exemplo, precisa ter mais protagonismo? O que o governo Lula precisa fazer e está fazendo é acelerar as entregas para a população. É continuar trabalhando, e muito, para melhorar a saúde, a educação, a parte social, combater as desigualdades. Isso o presidente fez muito nos dois primeiros anos e, com certeza, fará ainda mais nos próximos dois anos. Quanto à questão política, tem que dialogar com todos, tem que estar aberto ao entendimento e construir junto com quem quer fazer o melhor pelo Brasil.

“Temos facções disputando território e usando os jovens pobres. Mais de 80% dos homicídios no Ceará são de pessoas que integram essas organizações criminosas”

A disputa em 2026 será marcada por mais um embate entre Lula e a direita? As campanhas eleitorais de senadores, governadores e presidente da República têm uma relação muito próxima. Isso aponta que a polarização se dará entre a extrema direita e esse campo democrático, não só com a esquerda. A esquerda, com partidos de centro e da centro-direita, contra um campo fascista.

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Se Lula não puder ser candidato em 2026 — e ele já admitiu que isso pode ocorrer —, o ex-governador do Ceará e hoje ministro Camilo Santana seria uma opção ao Planalto? Lula será o nosso candidato a presidente. Vai chegar muito forte para a reeleição e será reeleito, se Deus quiser.

Mas o senhor não acredita que essa discussão sobre uma alternativa a Lula precisa ser feita pelo partido? Repito: o presidente Lula é o nosso candidato à reeleição e chegará muito forte no ano que vem. E vai ser reeleito porque a população vai saber reconhecer tudo o que ele fez pelo país.

Pesquisas recentes mostram queda de popularidade do presidente e seu governo no país e no Nordeste, que é há tempos a fortaleza eleitoral de Lula e da esquerda. Há espaço para mudar essa situação? Não tenho a menor dúvida que será possível. Esse quadro vai ser revertido pela capacidade de liderança do presidente Lula e pela clareza que ele tem do que é prioridade para a população. Ele já voltou a viajar, está fazendo reuniões com os ministérios, cobrando seus ministros para que possa garantir as entregas que ele se comprometeu a fazer. O presidente Lula tem capacidade e sensibilidade para entender a situação que está posta e quais caminhos o governo precisa percorrer para reverter esse quadro.

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Há um embate público hoje no PT sobre a escolha do próximo presidente da legenda. O que motivou essas dissidências, como superá-las e quais podem ser as consequências? O PT é, sem dúvida, o partido mais democrático que existe. Tudo é amplamente debatido. Há divergências e há convergências, mas, no final, o PT sempre sai mais forte dessas discussões.

O Nordeste, que é eleitoralmente a região mais vitoriosa para o PT, precisa ter mais espaço na sua cúpula? Temos ministros nordestinos participando intensamente do governo Lula. Temos o ministro Camilo, que muito nos orgulha, temos Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Rui Costa (Casa Civil), Renan Filho (Transportes), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e tantos outros nomes que têm contribuído com nosso país. Tenho certeza de que, com a união de todas essas forças, junto com os outros companheiros que fazem parte do governo, da nossa base aliada, vamos superar as adversidades e chegar muito fortes às eleições em 2026.

O senhor é um dos principais governadores aliados a Lula. Como tem sido a relação com o governo? O presidente colabora muito. Quando tomou posse, chamou todos os governadores para apresentarmos prioridades em obras de infraestrutura para o novo PAC. Em termos de parceria federal, estamos com o maior hospital da história no estado, o Hospital Universitário do Ceará, unidade de alta complexidade. A Transnordestina e a duplicação da BR-116 têm caminhado, além de obras hídricas, como o Cinturão das Águas, que é parte da transposição do Rio São Francisco e vai ajudar a distribuir água para o interior. Temos obras importantes em educação, como o campus do ITA, em Fortaleza.

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Apesar dos avanços, o Ceará ainda tem um dos piores IDHs do país. O que tem sido feito para mudar esse quadro? Além dos programas federais de transferência de renda, como o Bolsa Família, temos tido uma postura séria no que diz respeito às políticas sociais do estado. Alguns programas são o Ceará Sem Fome, que beneficia mais de 53 000 famílias, e o Mais Infância. Investimos em programas de qualificação e gestão de renda. Já emprestamos mais de 90 milhões de reais para que as famílias possam viabilizar seu pequeno negócio ou fizemos a articulação em parceria com o setor privado para termos vagas para gente capacitada. Mas acreditamos que o elemento central é levar o desenvolvimento econômico para o interior do Ceará. Por isso, a Transnordestina é muito importante. Áreas de tecnologia da informação e o polo calçadista são grandes chamarizes hoje.

“O presidente Lula será o nosso candidato em 2026. Vai chegar muito forte para a reeleição e será vitorioso, se Deus quiser. A população saberá reconhecer tudo o que ele fez pelo país”

Na política, o PSB foi o partido que mais elegeu prefeitos no Ceará em 2024, liderado por Cid Gomes, que ensaia uma aproximação com o irmão Ciro, que é do PDT e com quem estava rompido. Isso representa alguma ameaça à hegemonia do PT em seu estado? Não vejo como ameaça um partido da base aliada crescer. No que diz respeito à aproximação dos irmãos, enquanto família, espero que reatem suas relações pessoais. Mas, do ponto de vista político, a postura que o Ciro tem hoje em relação ao PT, em especial ao presidente Lula e ao ministro Camilo Santana, é inaceitável e inviabiliza termos um relacionamento político positivo. O posicionamento dele falta com a verdade e é completamente desvinculado da realidade, seja no estado, seja no país. É só olharmos os últimos resultados eleitorais no Ceará: o grupo político que o Ciro expressa não elegeu praticamente nenhum prefeito. A população está dando um recado claro para ele.

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Uma ameaça ao estado é o avanço da violência e das facções criminosas. Como enfrentar essa questão? A segurança é o tema mais desafiador. Diferentemente da saúde, área em que construímos hospitais e apoiamos a rede básica e de atenção primária, na segurança pública temos inimigos muito poderosos atuando, as organizações criminosas internacionais que estão muito capilarizadas em todo o território nacional. Temos buscado investir na área de inteligência, fazer estudos sobre lavagem de dinheiro, porque entendemos que é importante asfixiar essas quadrilhas. Furtos e roubos diminuíram, mas reduzimos muito pouco os índices de assassinatos no estado. Temos facções disputando território e usando os jovens pobres. Mais de 80% dos homicídios no Ceará são de pessoas que integram essas organizações criminosas.

Recentemente, o crime organizado conseguiu derrubar a internet em vários lugares do estado, inclusive no Porto de Pecém, um dos principais do país. Como impedir esse tipo de coisa? Infelizmente, a atuação do crime organizado ocorre no Brasil inteiro. Não é fenômeno de um só estado. O que temos feito no Ceará é enfrentar com muita força as facções. Temos reforçado nossas tropas e feito várias prisões, desarticulado grupos criminosos. Defendo sempre que haja uma união do país contra a violência, que os estados possam ter um apoio mais forte do governo federal, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso para verificar a questão das leis.

Isso tem sido defendido também pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, na condução da PEC da Segurança. Quais seriam as medidas plausíveis e prioritárias? Apenas a PEC é insuficiente para o enfrentamento do crime organizado, porque o essencial que está sendo colocado na Constituição por meio desse projeto já está na lei. O que precisamos é de um acordo para o enfrentamento dessas organizações. Precisamos alterar a Lei de Execução Penal no que diz respeito à progressão de regime de pena para chefe de organizações criminosas, pelo menos. Para que tenhamos segurança de que esses criminosos não vão ser soltos com brevidade. Também é preciso atualizar a lei de lavagem de dinheiro, uma vez que o tráfico movimenta bilhões de reais. Temos que utilizar as informações do Coaf e do Banco Central para desbaratar as organizações criminosas e, ao mesmo tempo, garantir maior articulação das nossas polícias.

Publicado em VEJA de 21 de março de 2025, edição nº 2936

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