Foi uma boa semana para a extrema direita.
No Congresso, avançou o projeto que reduz penas de golpistas — e se encerrou a votação. O texto sempre foi visto, dentro e fora do Parlamento, como o primeiro degrau de uma escada maior: a anistia. Não é um detalhe técnico. É um movimento político deliberado para reescrever o processo da trama golpista e normalizar o ataque à democracia.
Fora do Congresso, veio o outro sinal. A primeira pesquisa após o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro mostrou que o sobrenome segue vivo. O bolsonarismo, apesar de tudo, ainda tem capital político. O nome Bolsonaro continua sendo ativo eleitoral — pesado, reconhecível, mobilizador. Subestimá-lo é erro recorrente.
Ao mesmo tempo, a direita segue dividida. Tarcísio de Freitas é pressionado a apoiar Flávio, enquanto Silas Malafaia tenta impor outra fórmula: Tarcísio e Michelle Bolsonaro. O racha permanece. Não há unidade estratégica, nem consenso de liderança. Há disputa.
Mas a divisão não anulou os avanços. O teste do nome Bolsonaro funcionou. E a aprovação do projeto de dosimetria também. São dois passos concretos de um grupo que, até poucos dias atrás, ainda tentava se recompor da frustração com o fim da sanção americana contra Alexandre de Moraes.
A dor de cotovelo não virou retração. Virou movimento. Repito: foi uma boa semana para a extrema direita. E isso diz mais sobre o ambiente político do país neste momento.








