Bacellar pede licença e seguirá afastado de seu mandato na Alerj
Parlamentar solicitou oficialmente 10 dias, em meio a negociações para que ele renuncie
Um dia após deixar a prisão, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União) pediu nesta quarta-feira, 10, uma licença de seu mandato na Assembleia do Rio. Afastado da Presidência da Casa desde a última semana, quando foi preso pela Polícia Federal, o parlamentar teve de colocar tornozeleira eletrônica e foi liberado para participar das atividades da Alerj. Em meio a negociações de aliados, que sugeriam sua renúncia, no entanto, ele preferiu se distanciar do cargo, o que na prática prorroga a decisão para o ano que vem.
Em nota, a Alerj afirmou que Bacellar protocolou ofício para uma licença de 10 dias, que se estende até o dia 19 de dezembro. Até lá, no entanto, os parlamentares já deverá ter entrado no recesso de fim de ano, o que fará com que Bacellar só tenha sua volta à Casa prevista para 2026. O pedido foi feito “para tratar de assuntos de caráter particular”.
Preso suspeito de vazar ao deputado estadual TH Joias, um dia antes, informações sobre uma operação que o tinha como alvo, Bacellar segue investigado pela Polícia Federal, em processo relatado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Solto após votação na Alerj que determinou o relaxamento de sua prisão, ele terá que cumprir medidas cautelares como não se comunicar com outros investigados, permanecer em casa entre 19h e 6h, além dos fins de semana e feriados, e teve de entregar seu passaporte.
Articulações pela renúncia
Na decisão que permitiu a volta de Bacellar a Alerj, no entanto, Moraes manteve o deputado afastado da Presidência da Casa. Com isso, segue como presidente em exercício o 1º Vice-Presidente, Guilherme Delaroli. A dança das cadeiras, no entanto, fez com que a classe política já comece a pensar em 2026. De olho na saída de Claudio Castro (PL) do cargo de governador para disputar as eleições, deputados próximos de Bacellar vinham pedindo que ele renunciasse de seu mandato, para que a Assembleia pudesse eleger formalmente um novo presidente.
Para o lugar de Bacellar, seria colocado alguém de sua confiança. Assim, o novo líder poderia assumir o governo do estado quando Castro deixasse a cadeira. Caso Delaroli siga como presidente em exercício até lá, quem assume é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto de Castro.
A leitura, portanto, é de que Bacellar teria pedido o afastamento para que possa ganhar tempo e refletir sobre a melhor decisão. Há ainda o temor sobre as consequências na Polícia Federal da apreensão dos materiais de Bacellar, como seus três celulares. Também foram feitas buscas em seus endereços e nos gabinetes que ocupa na Alerj.
Retaliação
Dois dias depois da votação que relaxou a prisão do deputado, com placar de 42 votos a 21, relatos dão conta de que a base de Bacellar tem atuado para obstruir pautas de parlamentares que votaram contra sua soltura.
É o caso de uma honraria proposta pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL). Ela havia apresentado um projeto para agraciar com o Prêmio Abdias do Nascimento o Restaurante Borogun, que serve a culinária afro-brasileira. A homenagem é voltada justamente para pessoas e entidades que se destacam nessa valorização cultural, no combate ao racismo e na defesa da igualdade racial.
O parlamentar Alexandre Knoploch (PL), então, propôs uma emenda que mudava essa homenagem para a Padaria Joia do Grajaú, que notadamente não se enquadra nesse escopo. Com isso, o projeto foi retirado de pauta.





