Bolsonaro ou bolsonarismo, quem tem mais força?
Analista avalia impacto da prisão do ex-presidente e afirma que a força política de Bolsonaro e do movimento que leva seu nome hoje se equilibram
A força política do ex-presidente Jair Bolsonaro e do movimento que leva seu nome se equivalem hoje. A avaliação é do colunista de VEJA e especialista em opinião pública e eleições Mauro Paulino, ao analisar o impacto político da prisão do ex-presidente e seus desdobramentos no cenário eleitoral.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, Paulino afirmou que tanto a imagem pessoal de Bolsonaro quanto a marca política construída ao longo dos últimos anos seguem exercendo forte capacidade de mobilização, especialmente nas redes sociais. “Eu acho que são equivalentes tanto a imagem pessoal de Bolsonaro quanto a marca que ele criou”, disse.
Segundo o analista, o bolsonarismo consolidou características próprias que dialogam com uma parcela expressiva do eleitorado, independentemente da presença física ou da atuação direta do ex-presidente. Esse fator ajuda a explicar por que a prisão não produziu a convulsão social que alguns setores temiam.
Paulino observou ainda que o país permanece profundamente dividido em relação ao tema. De um lado, há apoio à concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente; de outro, uma parcela significativa da população defende o cumprimento integral da pena, nos mesmos moldes aplicados a outros presos.
Para o colunista, esse equilíbrio de forças impede conclusões fáceis sobre os efeitos políticos da situação judicial de Bolsonaro. “Não dá para dizer que uma decisão em favor da prisão domiciliar vá prejudicar ou beneficiar claramente um dos lados”, avaliou, destacando que o ambiente eleitoral tende a se manter competitivo e polarizado, como em 2022.





