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Congresso retoma os trabalhos em clima de tensão e desconfiança

Parlamentares voltarão a lidar com casos capazes de trazer danos a governistas e oposicionistas, como o escândalo do Master e a roubalheira no INSS

Por Daniel Pereira 21 fev 2026, 15h11 •
  • O sonho de todo parlamentar em ano eleitoral é trabalhar pouco em Brasília, dedicando-se principalmente à aprovação de medidas de forte apelo popular. No caso dos oposicionistas, também há sempre a esperança de explorar um escândalo político, desde que, claro, o desgaste caia única e exclusivamente na conta do governo, como ocorreu no mensalão.

    Neste 2026 de eleições gerais, deputados e senadores retomarão os trabalhos com uma pauta indigesta pela frente. Nos próximos dias, estão previstas audiências para ouvir Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em dois colegiados, a CPMI do INSS e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Investigado por uma fraude bilionária, Vorcaro tem laços — de amizade e contratuais — com integrantes das cúpulas dos Três Poderes.

    Seus segredos, segundo a versão corrente em Brasília, seriam capazes de fulminar carreiras políticas e criar complicações criminais a poderosos — da direita à esquerda. Daí a tensão no ar, e a tentativa nos bastidores de abafar o caso. O enredo é parecido ao do roubo a aposentados e pensionistas do INSS, que já ocorria no governo de Jair Bolsonaro e ganhou tração na gestão Lula.

    Até aqui, aparecem em situações suspeitas na apuração da rapinagem um assessor do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, um filho do presidente Lula e, mais recentemente, uma pessoa próxima ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Há requerimentos de convocação para serem avaliados, mas, diante da possibilidade de chumbo trocado, a CPMI do INSS pouco avança, produzindo muito discurso acalorado e pouco resultado.

    Além da tensão provocada por esquemas de corrupção, a pauta legislativa está às voltas, como de costume, com questões corporativas e impasse político. No início deste ano, os parlamentares aprovaram brechas para o pagamento de supersalários a funcionários do Congresso e do Tribunal de Contas da União, medida que foi vetada por Lula.

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    O presidente pegou carona na repulsa popular à iniciativa e na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acabar com a farra no pagamento de penduricalhos aos servidores. O episódio não está encerrado, já que deputados e senadores podem derrubar o veto.

    Encampada pelo ministro da Fazenda, Fernanda Haddad, mas não pelo governo, a luta contra os supersalários não está entre as prioridades de Lula. Ele tenta desde o ano passado convencer Alcolumbre e os senadores a aprovarem a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do STF. Outro desafio do presidente é dar início à tramitação da proposta de redução da jornada de trabalho, com a qual pretende marcar sua campanha. A oposição e o empresariado resistem à ideia.

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