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CPMI do INSS quer prorrogação para não terminar em fracasso absoluto

Lulinha, Frei Chico, Weverton Rocha e Paulo Boudens são alguns dos investigados que não tiveram suspeitas sobre si esclarecidas

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 mar 2026, 20h22
CPMI do INSS quer prorrogação para não terminar em fracasso absoluto Priorizar nos meus resultados Google

A CPMI do INSS foi instalada em agosto para investigar o golpe contra os aposentados revelado pela Polícia Federal.  Passados sete meses, a comissão apurou que associações e sindicatos fraudavam cadastros, descontavam mensalidades sem autorização dos idosos e pagavam propina para autoridades públicas —  esquema que tinha sido comandado pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ocorre que isso já se sabia antes de o colegiado ser instalado.

A CMPI aprofundou algumas linhas de investigação, trouxe novos personagens para a arena, mas, fora isso, fez muito barulho e produziu pouquíssimos resultados.

A comissão tem prazo até a próxima terça-feira para concluir os trabalhos. Os parlamentares pediram ao presidente do Congresso autorização para prorrogar o funcionamento por mais alguns meses, não foram atendidos e recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF).  A decisão caberá ao ministro André Mendonça.

Comissão não aprofundou investigação sobre vários personagens

A CPMI, se for encerrada, deixará uma série de perguntas sem resposta. O colegiado não conseguiu avançar na investigação sobre o envolvimento do vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula, no esquema. Também não houve aprofundamento na investigação sobre as ainda não muito bem explicadas ligações do Careca do INSS com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República.

Outros personagens poderão sair incólumes da investigação da CPMI. Um deles é o advogado Paulo Boudens, ex-assessor e braço direito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Boudens recebeu 3 milhões de reais de uma empresa ligada ao Careca do INSS. Ele nunca revelou o motivo do pagamento.

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O senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de Alcolumbre, também deve explicações. Ele recebeu o Careca do INSS em sua casa e no gabinete, usava um jato particular mantido pelo lobista e tinha afilhados políticos em postos-chave no Ministério da Previdência. A CPMI também não avançou na prometida investigação das fraudes envolvendo o crédito consignado, pelo qual bancos “emprestavam” dinheiro aos aposentados sem que eles autorizassem.

A comissão corre o risco de, sequer, ter o relatório final aprovado. Os parlamentares culpam o STF pelo fracasso. “Parece que o STF quer matar essa CPMI de inanição. Cada depoente que o tribunal barra de vir aqui é mais uma oportunidade perdida de investigar a roubalheira do INSS”, diz o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS).

O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aposta que o prazo da comissão será prorrogado pelo ministro Mendonça. “É uma questão de necessidade prorrogar a CPMI do INSS. Vejo muitas forças contrárias para a prorrogação, o que por si só mostra a seriedade do trabalho da comissão”, diz.

Os parlamentares também pressionam Davi Alcolumbre. “Falei para o senador que é obrigação dele prorrogar o prazo da CPMI, mas infelizmente a perspectiva é pequena”, lamentou a deputada Adriana Ventura.

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