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“Herdamos o desmonte ambiental”, diz Ricardo Salles

Em entrevista a VEJA, o titular da pasta ambiental fala sobre os desafios da gestão

Por Eduardo Gonçalves e Edoardo Ghirotto
16 ago 2019, 06h45 • Atualizado em 4 jun 2024, 16h06
  • O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, nega o desmonte ambiental em sua gestão e diz que a negociação com a Alemanha sobre o Fundo Amazônia ainda está em curso.

    O que achou da atitude da ministra do Meio Ambiente da Alemanha, que congelou 155 milhões de reais destinados à Amazônia? Foi uma manifestação isolada. No dia seguinte me ligaram do Ministério da Economia alemão dizendo que eles querem manter o fundo. Só precisamos concluir as negociações.

    O senhor vai cancelar projetos ligados ao Fundo Amazônia? Enviamos relatório ao BNDES, que gerencia os repasses, e ao TCU, que fiscaliza. Achamos ONGs que não prestaram contas e receberam recursos mesmo inadimplentes. Não vamos interromper nada, mas não celebraremos novos contratos.

    Sobre as críticas ao Inpe, haverá alteração no sistema que monitora o desmatamento da Amazônia? Teremos um sistema que usa imagens de alta resolução, que fará a medição todos os dias, em tempo real e com precisão de 3 metros. O Deter, utilizado pelo Inpe, faz de 50 a 60 metros. Nós vamos abrir licitação daqui a duas semanas, mas não há muitas empresas que forneçam esse serviço. Uma delas, a Planet, por exemplo, tem 140 satélites em cima da Amazônia. O Deter tem três. A Planet dá a imagem com o desenho do que mudou de ontem para hoje.

    E quanto vai custar isso?

    Nós fizemos um orçamento que dá para cobrir um milhão de quilômetros quadrados na Amazônia. O custo será de 5 milhões de reais por ano. Vamos abrir licitação daqui duas semanas.

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    Existe um desmonte na área ambiental? Desmonte foi o que eu recebi. Os prédios do Ibama estão detonados, as frotas sucateadas, o planejamento orçamentário foi deficiente. O déficit de funcionários é de 50%. Foram as gestões anteriores que me entregaram o órgão destruído.

    + EM VEJA DESTA SEMANA: Os prejuízos do Capitão Motosserra

    Há cargos vagos no Ibama desde março. Isso não afeta o trabalho? Não está fácil escolher gente capacitada, séria e que se disponha a ganhar o salário baixo para o serviço. Tenho entrevistado em Brasília cada um dos candidatos.

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    Sobre a indicação de Maíra Souza [25 anos] para a chefia do Parque Lagoa do Peixe (RS) feita pela bancada ruralista, ela é capacitada?

    Sim. A menina é da região. O lugar é super conflituoso. Há uma população que vive dentro da reserva. É muito importante colocar alguém que conheça os moradores, que faça essa interlocução. Não adianta nós botarmos mais lenha na fogueira. 

    O que diz sobre a ação dos servidores que o acusam de “assédio moral coletivo”? Isso é para me constranger, para não exigir desempenho deles.

    Para fiscais e ambientalistas, o governo empodera infratores… Muitos agem corretamente, e alguns com excesso. Queremos bom-senso, respeito à defesa, ao processo legal, ao contraditório.

    O discurso do presidente não é ruim para o agronegócio? Isso virou um tema quente internacionalmente e que justifica restrições comerciais de toda natureza. Nossa preocupação é que não haja interpretações errôneas. O Brasil tem uma postura ambiental séria, nós somos um dos países que mais preservam o meio ambiente, e vamos mostrar isso ao mundo.

    Publicado em VEJA de 21 de agosto de 2019, edição nº 2648

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