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Lula chega a 2026 com vitrines e fragilidades consolidadas

Presidente tem um portfólio de programas bem avaliados, mas não consegue superar antigas fontes de desgaste

Por Daniel Pereira 3 jan 2026, 14h20 • Atualizado em 4 jan 2026, 09h58
  • Preparando-se para disputar a sua sétima corrida presidencial, Lula começa o ano eleitoral de 2026 em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Num pleito que promete ser tão acirrado quanto o de 2022, quando venceu Jair Bolsonaro por menos de dois pontos percentuais de diferença, o petista detém certo favoritismo — por enquanto — para renovar o mandato.

    Alguns fatores jogam a favor do presidente. Um deles é a máquina pública. A engrenagem é tão poderosa que, desde a redemocratização, o único mandatário que tentou e não conseguiu se reeleger foi Bolsonaro, que agora está inelegível e preso. Até Dilma Rousseff, atingida em cheio pelas manifestações de rua e pela Operação Lava-Jato, conquistou dois mandatos, o segundo abreviado por um processo de impeachment.

    A dez meses da eleição, Lula também tem se beneficiado do racha na direita. Líderes do Centrão e expoentes das elites financeira e empresarial defendem a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, ao Palácio do Planalto, o que se tornou mais difícil depois de o senador Flávio Bolsonaro se anunciar como o nome do pai dele na sucessão presidencial.

    Portfólio

    Depois de ver sua imagem derreter no primeiro semestre de 2025, quando a desaprovação ao governo chegou a superar a aprovação em dezessete pontos percentuais, Lula recuperou popularidade e terminou o ano passado numa espécie de zero a zero: 49% de desaprovação e 48% de aprovação, segundo pesquisa Genial/Quaest.

    Além da recuperação de imagem, o presidente tirou do papel projetos de forte apelo popular que serão usados como vitrines na campanha. Na virada do ano, ele divulgou um vídeo nas redes sociais para celebrar a entrada em vigor da ampliação da faixa de isenção do imposto de renda, iniciativa que é aprovada por 69% da população, conforme a Genial/Quaest.

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    Outros cinco programas apresentam índices de aprovação ainda melhores: ampliação da distribuição de gás de cozinha (70%), Bolsa Família (73%), ampliação da isenção da conta de luz (75%), distribuição gratuita de remédios (88%) e Minha Casa, Minha Vida (89%). De olho no voto da classe média, Lula aumentou as linhas de crédito para a compra da casa própria.

    Sempre otimista, o presidente diz que colherá nas urnas a retribuição do eleitor. A dúvida é se esse portfólio será capaz de neutralizar o desgaste decorrente de uma série de problemas crônicos enfrentados pelos governos do PT, como o descontrole das contas públicas, que provoca azedume nos chamados mercados, e principalmente a criminalidade e o estigma da roubalheira de dinheiro público.

    O eleitor está cansado da inépcia na segurança pública e da corrupção, áreas nas quais a gestão Lula ostenta os maiores índices de avaliação negativa — de 55% e 47%, respectivamente, conforme a Genial/Quaest. O presidente sabe que não terá vida fácil pela frente.

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