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Lula prepara a cavalaria para equilibrar a disputa no Sudeste

Presidente quer impedir a oposição de abrir uma vantagem na região capaz de superar a colheita de votos do PT no Nordeste

Por Daniel Pereira 15 fev 2026, 18h30 •
  • Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira, 11, mostrou estabilidade na popularidade do governo, mas chamou a atenção ao revelar uma queda de seis pontos percentuais, entre janeiro e fevereiro, na aprovação à gestão Lula na região Nordeste, considerada o principal celeiro de votos do PT.

    Festejado pela oposição, o dado não causou tanta apreensão aos auxiliares do presidente. Eles alegam que com o início da campanha, quando serão acentuados o uso da máquina pública, os efeitos das bondades eleitorais e os investimentos em propaganda, essa queda momentânea será revertida, e a imagem de Lula se tornará ainda mais positiva na região. Foi o que ocorreu, alegam os assessores presidenciais, em períodos eleitorais anteriores.

    Hoje, a principal preocupação de Lula é com a disputa na região Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país. Candidato à reeleição, o petista precisa de palanques estaduais fortes em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Sua prioridade nem é eleger os governadores, mas garantir que seus candidatos o ajudem a conseguir uma votação expressiva nesses estados — expressiva a ponto de impedir que o concorrente da oposição ao Planalto consiga uma vantagem no Sudeste capaz de superar a votação do PT no Nordeste.

    Em 2022, Lula perdeu para Jair Bolsonaro em São Paulo, e Fernando Haddad foi derrotado por Tarcísio de Freitas, nome do capitão, na corrida ao Palácio dos Bandeirantes. Apesar disso, tantos petistas quanto bolsonaristas dizem que o desempenho do PT nas urnas paulistas — ou o fato de o bolsonarismo não ter feito uma vantagem maior no estado — foi decisivo para que Lula superasse Bolsonaro, no placar geral, pela menor diferença de votos registrada desde a redemocratização.

    A missão do presidente no Sudeste não será fácil. Ele ainda não tem candidato em Minas. Na semana passada, voltou a conversar com o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a fim de convencê-lo a concorrer ao governo. A situação continua indefinida. Em São Paulo, onde a reeleição de Tarcísio de Freitas é considerada barbada, Lula quer toda a cavalaria em campanha.

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    Numa entrevista recente, ele declarou que o vice-presidente Geraldo Alckmin, que governou São Paulo quatros vezes, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, têm um papel a cumprir no estado. Ambos são cogitados para concorrer ao governo ou ao Senado. Para reforçar o escrete, espera-se que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, mude o domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo a fim de participar da disputa. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também deve buscar os votos dos paulistas.

    No Rio de Janeiro, onde perdeu para Bolsonaro por uma diferença de mais de um milhão de votos no segundo turno de 2022, Lula já tem candidato: o prefeito Eduardo Paes, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Adversário nos tempos do mensalão convertido em aliado, Paes é filiado ao PSD, que tem três pré-candidatos à Presidência e, portanto, pode rivalizar com o presidente nas urnas.

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