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Lulinha vai depor sobre sua relação com Careca do INSS

Testemunha enredou o filho o presidente da República em escândalo, mas investigações ainda não imputaram crime ao primogênito

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 fev 2026, 16h21 •
  • Com a maturação das investigações sobre a quadrilha que desviou bilhões de reais por meio de descontos fraudulentos de aposentados e pensionistas, a Polícia Federal deve ouvir em breve Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula e mencionado como um dos pontos de contato do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

    A oitiva ainda não tem data marcada, mas começou a ser debatida reservadamente porque a PF ainda não conseguiu avançar sobre provas que pudessem imputar crimes a Lulinha. Por ora, disseram a VEJA interlocutores com acesso à investigação, embora haja sucessivas menções ao primogênito do presidente, não há evidências concretas de que ele tenha cometido crimes ligados aos desvios no INSS.

    Cabe ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), coordenar as investigações que envolvem o escândalo que lesou pelo menos 3 milhões de aposentados com descontos associativos ilegais e recentemente jogou luz sobre o possível envolvimento de Lulinha com Camilo Antunes, o principal investigado no caso.

    Em sigilo, o ministro deu aval no final do ano passado para que um informante das investigações sobre o esquema fosse inscrito no programa de proteção à testemunha depois de supostamente ter recebido ameaças do Careca do INSS. A testemunha, neste caso, não era um qualquer.

    Antigo parceiro de Antunes, Edson Claro disse à Polícia Federal ter ouvido do Careca que ele pagava 300.000 reais mensais a Fábio Luís em troca de facilidades no governo, mas afirmou que a PF teria se recusado a registrar a informação. O presidente nunca desmentiu as suspeitas contra o filho e afirmou em uma entrevista que, se estiver envolvido, Lulinha “vai pagar o preço (…) porque a lei é para todos”.O filho do presidente hoje vive na Espanha.

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    Conforme mostrou VEJA, desde dezembro a cúpula da CPI mista do INSS passou a ouvir Edson Claro para tentar desvendar uma outra suspeita: a tentativa de o grupo do Careca do INSS fechar um negócio milionário junto ao Ministério da Saúde. Segundo Claro, Camilo Antunes teria repassado por meio de lobistas 5 milhões de reais a Fábio Luís para que ele lhe abrisse portas no governo.

    Lulinha teria recebido pagamentos por meio da empresária Roberta Luchsinger e da publicitária Danielle Fonteles, ex-proprietária de uma empresa que foi investigada por lavagem de dinheiro na campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. Todos negam irregularidades.

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