Michelle Bolsonaro planta ‘semente de dúvida’ e reforça suspense sobre Flávio
Discurso econômico de governador de São Paulo, compartilhado pela ex-primeira-dama, reacende dúvidas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro
A decisão de Michelle Bolsonaro de compartilhar nas redes sociais um vídeo do governador Tarcísio de Freitas com um discurso de tom claramente presidencial recolocou no centro do debate uma divisão que vinha sendo tratada com cautela no núcleo do bolsonarismo. O gesto foi interpretado por aliados e observadores como mais do que um simples endosso retórico: soou como uma sinalização política em meio à disputa pelo espólio eleitoral de Jair Bolsonaro (este texto é um resumo do vídeo acima).
O movimento ocorre num momento sensível. Embora quem tenha se lançado oficialmente como pré-candidato à Presidência seja o senador Flávio Bolsonaro, cresce entre aliados do ex-presidente a percepção de que o governador paulista ocupa, com mais consistência, o espaço de opositor programático ao governo Lula.
Um discurso que vai além de São Paulo
No vídeo repostado por Michelle, Tarcísio defende redução de gastos públicos, controle da inflação, queda dos juros, diminuição de impostos e abertura da economia — uma agenda típica de campanha presidencial. O conteúdo chamou atenção justamente por não tratar de temas locais, como obras ou projetos paulistas, mas de questões macroeconômicas e nacionais.
“Não é um discurso de quem está se preparando para disputar a reeleição em São Paulo”, avalia o colunista Robson Bonin, de Radar, em participação no programa Ponto de Vista. “Se fosse, ele estaria falando do túnel do Guarujá, do Porto de Santos, de pautas regionais. O que aparece ali é alguém se qualificando como alternativa ao presidente Lula.”
Flávio e o vazio de propostas
Na avaliação de Bonin, o contraste com Flávio Bolsonaro é evidente. Enquanto Tarcísio ocupa espaço com discurso econômico e formulação de agenda, o senador segue sem apresentar um programa claro de governo. “O Flávio repete um roteiro muito parecido com o do pai em 2018: pouco preparo, ausência de propostas e aposta no barulho político”, afirma.
A estratégia, segundo o colunista, tem produzido mais ruído do que adesão. A recente declaração de que nomearia o irmão, Eduardo Bolsonaro, para chefiar o Itamaraty foi mal recebida até mesmo entre aliados e acabou sendo vista como um trunfo involuntário para o PT.
Economia como campo de batalha eleitoral
O discurso de Tarcísio também dialoga diretamente com o desgaste econômico do governo Lula. O aumento de gastos públicos, a pressão arrecadatória e o crescimento do déficit fiscal vêm sendo explorados pela oposição como símbolos de um modelo que compromete o futuro do país.
“Tarcísio bate exatamente onde o governo é mais vulnerável: gastos elevados, aumento de impostos e risco de uma crise fiscal contratada para depois de 2026”, diz Bonin. A retórica do “caminho da prosperidade” reforça essa ponte com o eleitorado liberal e com setores do mercado.
Um clã dividido à vista de todos
Ao compartilhar o vídeo, Michelle Bolsonaro não apenas ampliou o alcance do discurso de Tarcísio como também tornou pública uma divisão que já existia nos bastidores. Parte expressiva do bolsonarismo — incluindo líderes religiosos e aliados históricos — vê no governador paulista um nome mais competitivo que Flávio para enfrentar Lula.
“O gesto planta uma semente de dúvida”, resume Bonin. “Mostra que não há consenso, que o clã está dividido e que essa disputa interna ainda vai render novos capítulos.”
Com o fim do recesso e a retomada do calendário político, a tendência é que esses sinais se tornem mais frequentes — e mais explícitos. No bolsonarismo, a sucessão de Jair Bolsonaro segue em aberto. E cada movimento pesa.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.






