Nikolas Ferreira: “Não morro sem tentar”
Deputado fala a VEJA sobre Jair Bolsonaro, a direita e os planos políticos
Em entrevista a VEJA, o deputado Nikolas Ferreira diz que os condenados por tentativa de golpe são vítimas de revanchismo político, que a pauta de costumes precisa ser discutida e que, se um dia se sentir preparado, disputará a Presidência da República.
A esquerda costuma apresentar o senhor como porta-voz da direita radical. Isso o incomoda? Não tenho dúvidas de que o grupo terrorista Hamas nos acha radicais por deixar que as mulheres tenham direitos. Já eu os acho radicais por matar homossexuais e degolar opositores. Se você acredita que ser radical é defender uma criança no ventre, prezar pela segurança e lutar por bons costumes, eu me considero radical.
Defender a anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, não é radical demais? Os generais do regime militar foram anistiados, a esquerda também, por crimes de morte, de terrorismo, de sequestro. A anistia é um preço muito barato para os ministros do STF continuarem andando em paz nas ruas. Pessoas estão sendo privadas de sua liberdade por conta de um revanchismo político. É crime depredar patrimônio público, mas a penalidade tem de ser proporcional.
E os generais condenados por tentativa de golpe que elaboraram até planos de assassinato? Esse crime não existiu. É como se eu tentasse te envenenar com um copo de água potável. Como você derruba uma democracia sem armas de fogo? Quais pessoas que participaram do 8 de Janeiro sabiam de um plano para matar o Lula? Não havia coordenação a respeito disso. Aquele documento (Punhal Verde Amarelo) que foi usado para condenar os acusados é uma estupidez.
Não é um exagero dizer que a direita é perseguida por mero revanchismo? Não me lembro de nenhum perfil de deputado de esquerda derrubado pelo STF. Quantas multas eleitorais a esquerda tomou e quantas a direita tomou? Quantos deputados estão sofrendo processos porque chamaram o Bolsonaro de genocida? Nenhum.
A condenação e prisão de Jair Bolsonaro reflete de que maneira no campo da direita? Reforça a percepção de perseguição política, embora eu ache que a prisão do ex-presidente é também uma pancada na força eleitoral de qualquer outro candidato da direita. Querendo ou não, a figura do Bolsonaro, física, arrasta multidões.
Quem é o melhor candidato para enfrentar Lula? Tudo passa pelo ex-presidente, que continua com um capital político gigantesco. Ele já deu a bênção para o filho dele.
Lula afirmou que vai disputar o quarto mandato e tem certeza que será reeleito. Como avalia as chances dele em 2026? O Lula talvez tenha confiança demais em algum mecanismo que ele montou e a gente desconhece. O maior opositor dele na competição, que é o Bolsonaro, está fora da eleição. Os deputados mais votados do Brasil, como o Eduardo Bolsonaro e a Carla Zambelli, também estão. Talvez o governo consiga regulamentar a internet. Talvez consiga também manipular a Justiça Eleitoral. Isso pode explicar essa certeza do presidente.
Qual deveria ser a prioridade do candidato de direita? Precisamos trazer paz para o país em todos os aspectos. Hoje, fala-se tanto em soberania, mas não somos um país soberano por conta do crime organizado. Precisamos de alguém que combata a esquerda. A questão econômica é importante, mas secundária. O que o nosso país de fato precisa é de uma renovação cívica que passa por valores. Outro tema importantíssimo que precisamos avaliar é a pauta de costumes.
Por quê? Homossexuais e a turma LGBT precisam ser tratados como qualquer outro tipo de pessoa, ponto. Não dá para a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) fazer um projeto para garantir benefícios do INSS a pais e mães de santo. Se eles contribuírem com a Previdência, já vão ter. Outra coisa: cotas na universidade. Vamos ter cotas também para quem é narigudo, tem anorexia ou é gordo? O que a conduta sexual, com quem você faz sexo ou não, muda na hora de uma contratação ou para você entrar numa faculdade e produzir conhecimento?
Lideranças da direita dizem que o senhor futuramente será candidato à Presidência. Isso está em seus planos? Se a melhor maneira de servir o meu país é sendo um ministro na escola dominical da minha igreja, que eu seja isso. Se for presidente, espero que esteja preparado. Se me sentir preparado, você pode ter certeza que não morro sem tentar. Para 2026, quero ter uma boa quantidade de votos, porque são esses votos que me blindam das perseguições políticas, das injustiças.
Publicado em VEJA de 30 de janeiro de 2026, edição nº 2980






