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O fantasma da Lava-Jato e a postura de André Mendonça no caso Master

Novo relator do caso Master, responsável por homologar acordo de colaboração de ex-dono do banco, teve embate recente com o procurador-geral Paulo Gonet

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 mar 2026, 18h59 | Atualizado em 24 mar 2026, 17h22

Relator do inquérito que apura o escândalo do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça comprou briga com o procurador-geral da República Paulo Gonet ao abrir prazo de apenas 24 horas para que o chefe do Ministério Público se manifestasse sobre a necessidade de uma nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Gonet reclamou do tempo exíguo e se absteve de endossar o novo encarceramento do empresário, decisivo para que ele enfim decidisse levar adiante um acordo de delação premiada. Conhecido, o episódio é apenas mais um capítulo do desconforto do MP em relação a Mendonça e emula em grande parte o incômodo fantasma da Lava-Jato.

Assim que assumiu a relatoria do Master, Mendonça se reuniu por duas vezes com delegados da Polícia Federal para tratar do caso sem a presença do MP, o que gerou insinuações maledicentes de semelhança com a postura do ex-juiz Sergio Moro, acusado de parcialidade por atuar em sintonia com a equipe do então procurador Deltan Dallagnol.

A ideia de Mendonça com as reuniões com policiais era se inteirar das principais descobertas da investigação, debater pedidos pendentes de análise e eventuais novas diligências, como quebras de sigilo e ordens de prisão. A diferentes interlocutores, o ministro do Supremo afirma que, se possível, tentará evitar decisões judiciais às vésperas das eleições para que o ambiente político não fique ainda mais turbulento e diz que não tem o objetivo de perseguir nem de blindar quem quer que seja.

O fantasma da Lava-Jato também passou a ser lembrado porque Vorcaro começou a negociar um acordo de delação premiada que, se for levado adiante de forma ampla, poderá alvejar ministros do STF, integrantes do governo Lula e um sem-número de parlamentares do Centrão em uma espécie de nova delação do fim do mundo.

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O histórico da operação que começou com a prisão de doleiros e terminou com a condenação do presidente Lula e que tinha as delações premiadas como pilar de sustentação, no entanto, mostra que a estratégia na definição da abrangência e dos alvos a serem potencialmente delatados pode custar a própria sobrevivência do acordo de colaboração.

No escândalo do petrolão, réus encrencados que decidiram acusar sem provas cabais o ministro do Supremo Dias Toffoli, como foi o caso do empreiteiro Leo Pinheiro e do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, tiveram seus acordos descartados. Enredos fantásticos mas sem elementos de verificação, como os apresentados pelo ex-todo-poderoso Antonio Palocci ou pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht, também caíram em descrédito.

Conhecido pela agenda recheada de contatos políticos, Daniel Vorcaro teve uma ascensão meteórica no mundo da Faria Lima entre outras coisas por uma gigantesca teia de relações – não necessariamente todas criminosas. As traficâncias pretensamente atribuídas ao banqueiro são, por natureza, de difícil comprovação.

Para acusar próceres do Centrão ou ministros de Estado do governo Lula, por exemplo, o banqueiro precisará comprovar que eles exigiram contrapartidas para defender interesses de seu conglomerado de empresas, o que quase nunca vem acompanhado de evidências físicas. É aí que a delação de Vorcaro pode se diferenciar dos atabalhoados acordos da Lava-Jato. Na mira do empresário, a classe política praticamente vive desde já à base de ansiolíticos.

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