O jogo jogado entre STF e Senado em relação à Lei do Impeachment
Texto será pautado depois de decisão do ministro do Supremo Gilmar Mendes sobre processos contra integrantes da Corte
Apesar da Lei do Impeachment ser pautada na esteira da crise envolvendo o ministro do STF Gilmar Mendes e o Congresso, o texto que será enviado pelo relator Weverton Rocha não sofre grande resistência de integrantes da Suprema Corte. Segundo uma prévia do texto que a coluna teve acesso, o documento apenas moderniza uma lei de 1950, impondo regras mais claras e ainda incorpora vários pontos que estão na decisão do decano do Supremo Tribunal Federal.
Na semana passada, o ministro determinou que só a PGR pode pedir abertura de impeachment contra integrantes do STF. A decisão gerou uma crise com os parlamentares, que viram o movimento como uma tentativa de blindagem da Corte.
Em reação, projetos que limitam os poderes de ministros voltaram a ser discutidos. No Senado, a Lei do Impeachment deve ser votada nesta quarta-feira, 10. As mudanças, no entanto, não trazem um impacto significativo para o Supremo.
O PL atualiza a legislação de crimes de responsabilidade, modernizando os tipos, ampliando o rol de autoridades e definindo um rito processual para julgamentos no Legislativo e no Judiciário. O projeto original permite que partidos políticos, OAB, entidades de classe e grupo de cidadãos possam entrar com pedido. No novo texto, a Procuradoria Geral da República também poderia, ponto importante para o Supremo.
O ponto de resistência da oposição, rejeitado por Gilmar Mendes, é que acaba com a possibilidade de denúncia individual simples e exige que a iniciativa popular, ou seja, quantos cidadãos são necessários para formalizar um pedido, seja de 1% da população, no mínimo. O que dariam cerca de 1,6 milhão de assinaturas.
Além disso, o quórum mínimo para a admissibilidade do processo seria aumentado para 2/3 dos senadores. A mesma medida está na decisão do ministro Gilmar Mendes. Parece mais barulho do que uma reação concreta do Senado contra o Supremo.








